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Oração mágica do “eu sou”

Atibaia, 28 de abril de 2020

Ouvindo a lindeza de música “A começar em mim”, de Vocal Livre

Presente da querida Tati Lima

Estou feliz, devo confessar. Nada mudou das outras semanas pra cá. A loucura cotidiana segue aí, pra mim, pra você, pro mundo. Mas estou feliz por ter recuperado o meu olhar apurado em encontrar a beleza cotidiana.

Começou ontem, com a mensagem da Tati sobre as lives que rolariam essa semana na The School of Life – local onde nos conhecemos quando fizemos juntos o curso da Ana Holanda. E ali, no inbox do Instagram, começamos a conversar e foram 15 minutos que valeram tanto! Pela troca, pelas indicações, por falar do filme “Sérgio”, por falarmos sobre escolhas, pela música que realmente foi um presente pra mim, enfim.

Estou me sentindo bem, finalmente!

Tinha montado meu escritório lá fora e ao final do dia, a inspiração até voltou. Fiz um pequeno post:

Hoje novamente trabalhei da garagem. Pela manhã, pude ver meus meninos na frente de casa andando de bicicleta. Passou a ser a nova atividade, já que Beni está muito empolgado por ter aprendido a andar sem rodinhas e por ter herdado a bike do primo. Mimi acompanha o irmão em tudo que faz; é bonito ver como Beni é uma referência pra ele. ⁣

À tarde, o caçula dormiu e então dei meu celular para o primogênito assistir. Voltei pra fora, no meu escritório nômade com toalha de coração na mesa, flores e fofurices para compor o ambiente e o fone no ouvido com as músicas favoritas. Enquanto fechava o calendário editorial de maio para o cliente, senti o sol beijar minhas pernas, senti a brisa de outono, vi as árvores dançando e os pássaros cantando, vi crianças se exercitando e senti um cheiro delicioso que me lembrou pipoca doce. ⁣

Pensei em quantos estão cozinhando juntos. Pensei que hoje fui premiada com este dia de paz entre tantos outros que foram caos. Pensei que o que sentimos por dentro, emana pra fora. E então, agradeci a beleza de viver, mesmo quando tudo está de cabeça pra baixo, mesmo quando tudo insiste em querer desmoronar. ⁣

Por uns dias andei meio nebulosa. Que bom voltar a enxergar que há beleza em tudo. Que assim permaneça em mim, apesar de todos os pesares. E como diz Marla de Queiroz: “que sejamos boas notícias”. ⁣

Que assim seja. Assim é.

Publiquei a foto em um grupo do Facebook que fizeram a partir da Itália para que “coroemos momentos” vividos nesta quarentena. E desde então, tenho sido presenteada com textos lindos de pessoas que nem conheço, mas que me sinto conectada de alguma forma.

Hoje, segui com o escritório lá fora. Entre “mamãe, brinca comigo”, “mamãe, faz um lanchinho”, “mamãe, terminei, vem me limpar!”, “mamãe, vamos tomar banho?” consegui atingir minha meta de iniciar o curso de Inteligência Emocional da Conquer, que está gratuito neste momento de quarentena.

Contemplei o pôr do sol, que mais um dia esteve divino!

Assisti também um encontro com Maria Alice Proença proporcionado pela Diálogos, um encanto de palavras. Foi lindo!

Pra finalizar, encontrei essa oração linda, cujo título está neste artigo.
Senti que foi um presente de força, de luz.
Sei que está sempre comigo, Deusinho, cuidando pra me levar para o eixo. Seu fofo!

Eu sou a porta aberta que nenhum ser pode fechar.
Eu sou aquele que transmuta o negativo em positivo.
Eu sou aquele que cria a felicidade em mim.
Eu sou uma fonte de saúde
Eu sou a abundância econômica
Eu sou aquele que tenho todos os meus problemas resolvidos.
Eu sou a justiça divina para todos.
Eu sou aquele que cria uma vida cheia de prosperidade.
Eu sou a força
Eu sou a luz
Eu sou o raio roxo que penetra no meu corpo e transmude o negativo em positivo
Eu sou cada célula do meu corpo que elimina o negativo.
Eu sou o Deus que mora minha casa.
Eu sou o poder, a força e a glória.
Eu sou o poder supremo que com a sua presença tira toda perturbação.
Eu sou aquele que remove os irmãos elementares que danificam minha vida.
Eu sou quem eu sou e quero que minha vida fora de complicações.
Estou tendo todas as minhas necessidades satisfeitas.
Eu sou aquele que remove inimigos escondidos, visíveis e invisíveis do meu caminho.
É decretado, é invocado, expressa-se.
E assim eu realmente faço em nome da Divina.
ESTOU PRESENTE
Assim seja,
Oração Strega.

Que assim eu permaneça. Floresça. Amplifique e fortifique.
No amor. Por amor.


Meu beijo,
L.

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Filme Netflix: Sérgio

Atibaia, 26 de abril de 2020.

Ouvindo “Oração ao Tempo”, versão de Caetano Veloso.

Acabamos de assistir ao filme “Sérgio”. Já tinha lido críticas super positivas e queria saber mais sobre a história do diplomata. Que ser!

Gostei muito do que vi, mas não deixei de refletir sobre as escolhas que fazemos na vida. Sobre nossos “sins” e nossos “nãos” que podem significar absolutamente toda diferença no cursar da vida, no quanto a cada momento estamos escolhendo por qual caminho seguir, e deixando pra trás o que “poderia ter sido”.

Que loucura!

O final do filme já tinha sido emocionante o suficiente mas quando, ao começar os créditos, começa a tocar “Oração ao Tempo”, do Caetano e vejo Beni comentar que preferirá trabalhar com ‘marketing digital’ ao invés de ir para a guerra chorei ainda mais e ri ao mesmo tempo.

Só pude pensar no quanto eu e o Lu estamos seguindo nosso coração quando escolhemos – apesar de – estarmos juntos na construção do nosso projeto de família, mais perto dos meninos, um cuidando do outro.

Pensei me senti a mulher mais sortuda do mundo em fração de segundos.

Nos abraçamos forte os quatro, deitados no colchão da sala neste fim de domingo. Destes momentos que ficarão pra sempre no nosso coração.
Que bom termos um ao outro.
Que bom enlouquecer com eles e não ter tempo de pensar no caos lá fora.
Que bom podermos estar protegidos, juntos, em casa.
Que bom, meu Deus. Que bom.

Gratidão por isso, Deusinho.
Meu beijo,
L.

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Não esconda seu medo.

Atibaia, 20 de abril de 2020.

Ouvindo “Forever”, de Ben Harper.

Há algum tempo, fiz uma “limpeza” no Facebook para evitar de ver postagens onde existia uma troca de farpas e desrespeito. Hoje, precisei fazer de novo. Não só no Facebook, mas em tudo.

Já ouvi pessoas dizendo que sou muito “alienada”. O fato é que ler certas coisas realmente ferem meu coração; por isso, tenho optado por escolher minhas boas notícias.

No whatsapp, a mesma coisa. Estou num período menos.
Saí dos grupos e estou tentando voltar a me reconectar com as pessoas por e-mail. É como se assim fosse o mesmo que voltar para as cartas manuscritas.
Nada pessoal, gente! Só mesmo uma tentativa de estar ainda mais conectada com as pessoas e não apenas repassar mensagens.

Ando com uma necessidade de voltar aos velhos hábitos.

Muito louco isso, né?
Duas coisas me trouxeram gatilhos mentais hoje.
A música do Chorão dizendo

“Alguém te perguntou como é que foi seu dia?
Uma palavra amiga, uma notícia boa
Isso faz falta no dia a dia
A gente nunca sabe quem são essas pessoas…”

foi uma delas. Fiquei me lembrando das deliciosas mensagens que recebi de gente querida sobre esse momento de vida enlouquecedor pra todo mundo.

Adoro quando a Tati me indica um novo e-book gratuito.
Ou quando diz que o último que leu valeu muito a pena.
Nossas trocas dia desses renderam uma lista no Spotify especialmente para a Lua.

Adoro as conversas profundas com a Isa e a Li.

Adoro quando minha irmã compartilha comigo tanta vulnerabilidade quanto eu. Sinto que essa quarentena tem nos aproximado, e tô tão feliz!

Adorei receber a partilha de poemas da Lie. E trocar e-mails com ela, que é uma grande amiga tão especial.

Adorei quando a Ju me passou o teste de personalidade que tinha minha cara e também quando dividiu comigo a dica de um livro pra ler com as crianças.

Adorei a Rafa e a Carol me fazendo rir na quarentena, e o grupo que a Mazí criou para falarmos sobre “maternidade real em tempos difíceis” – este segui para manter a sanidade mental.

A notícia de que minha sogra está doente de novo mexeu conosco. Dá uma urgência de aproveitar cada vez mais a família, o momento, a presença. Dá ainda mais saudade de abraços, de afeto, de carinho. Ainda mais contade de viver o hoje, o agora.

Mas também nos lembra que absolutamente nada está sob nosso controle. Lidar com isso tem isso minha maior lição nesses dias… Criei um instagram chamado @luz.e.sombras só para meus devaneios destes tempos sombrios.

Bem, voltando ao que me trouxe gatilhos mentais, além da música do Chorão, vi o título desta postagem em um artigo da Vida Simples: “não esconda seu medo”.

Nesta quarentena eu venho aprendendo a nomear o que eu estou sentindo. Entender a vida que pulsa em meus poros… medo de perder quem eu amo? Medo de que nada volte a ser como antes? Raiva por esta situação? Tristeza por tantos motivos? Alegria por ter o privilégio de estar protegida e com saúde em casa? Surpresa por conseguir acompanhar tantas novidades dos meus pequenos?

Cada dia é um dia. A cada 24 horas, uma avalanche emocional toma conta de mim e este desassossego provavelmente é a causa por eu estar com o ciclo menstrual 1 semana mais curto. E essa oscilação hormonal também tem me custado muito!

Bem, estamos aqui para viver… a hora é agora!
Com amor, com dor, com medo, com alegria, como for… sempre em gratidão!

“Mãos em prece” e um respeito e honra absoluta por mim mesma.

Meu beijo,
L.

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Dia 31.

Atibaia, 16 de abril de 2020.

Ouvindo “Drão”, de Gilberto Gil

Tô aqui ouvindo ‘Drão’, lembrando do filme delícia “Todas as Canções de Amor” – se você ainda não assistiu, vale a pena!

31 dias de Quarentena.

Beni hoje quis tirar a rodinha da bicicleta, mas tá bravo porque a bike dele é pequena.
Ele e Mimi tiveram um momento ‘super irmãos’ que durou pouco; Mimi deu um gole na água do Beni e a guerra começou.

Ó céus.

Demos nossa caminhada matutina e tomamos um pouco de vitamina D.
Comecei a assistir de novo meu curso do Officeless; fico encantada com a cultura de trabalho remoto, com tanta coisa a aprender.

Baixei mais livros na Amazon e comprei meu kindle.
Agora tô que nem criança em noite de Natal esperando pelo presente.

Ler tem sido uma maneira de mesmo aqui em casa, “fugir” para um mundo diferente.
Reli uma frase de Caio Fernando e já vou eu no meu mundinho imaginário, pensando nele no canto de um banco de casa com seu cigarrinho e me dando o conselho:

“Ô menina, veja bem… Ouça uma boa música, leia um bom livro e bola pra frente. Pode parecer clichê, mas funciona. Vá por mim.”

Eu acredito, Caio F.

Ontem os meninos estavam com meu celular e recuperei um velho hábito: o de fotografar com a câmera. Saí pelo condomínio em pesquisa de campo.

Vi incontáveis passarinhos voando. Pensei na liberdade.
Vi o coqueiro criando uma super sombra no chão. Pensei em nossas luzes e sombras.

Voltei pra casa e ganhei um abraço do Lu.
Aqueceu meu coração… fiquei incrivelmente mais calma.

À noite, enquanto ele fazia panqueca com as crianças, revisitei os controles administrativos da Prosperidade, fiz as previsões para maio, conversei com o Lu sobre este momento de vida.

Adorei um grupo criado pela Mazí para falar a “real” de como cada mãe anda neste período de quarentena. As dores, as delícias, os monstros internos de cada uma, o que tem sido bom.

Prometi que ia listar algumas coisas boas para tentar permanecer mais na minha ‘luz’ que na minha ‘sombra’, mas confesso que me permitir falar a real para o grupo foi libertador.

Compreender e ser compreendida por um grupo afim. Às vezes a gente só precisa disso.
Hoje já me sinto melhor. Consegui até fazer uma lista. Ó que jóia! 🙂

Das coisas boas pessoais:
– Passar menos tempo escrava das redes sociais
– Ler mais livros, agora virtualmente
– Voltar a fotografar
– Agora voltar a escrever no blog
– Descobrir minha tribo de pessoas reais

Das coisas boas em família:
– Os meninos estão mais particiipativos nas tarefas de casa
– Estamos dormindo até mais tarde e descansando mais
– Eles estão felizes por estarem com nós dois em casa
– Estamos orando mais em casa, praticando mais a gratidão

Das coisas boas em casal:
– Colocar alguns pingos nos is pra não adoecer
– Falar e ouvir
– Fazer planos para quando isso tudo acabar

E assim, vamos caminhando.
Um dia de cada vez.

De modo geral, esta imagem resume bem minha quarentena:

Vamo que vamo!
Lillica.

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Quarentena, dia 29.

Atibaia, 14 de abril de 2020.

Ouvindo “Tocando em frente”, versão de Almyr Sater

Hoje de manhã caiu uma chuva estranha. Veio de repente, densa, forte. Parecia traduzir como muitos de nós estamos nos sentindo nesta quarentena: desaguando.

Ontem consegui conversar com a Isa e com a Li. Elas são minha calma na alma em momentos estranhos, e ontem não foi diferente. Mas deu até dó delas, que ouviram todas as minhas lamúrias e crises existenciais. O cansaço. A exaustão. A incerteza. Enfim, pontuamos tantas coisas e no final, elas entendem que era isso que eu precisava mesmo. Um canal de verbalização, sem filtro, sem edições. Apenas duas pessoas que eu confio muito e uma escuta ativa presente – e isso pra mim vale ouro.

Terminamos o assunto em silêncio. Desses que acolhem a alma e que certamente se estivéssemos juntas fisicamente seria selado por um abraço, algumas lágrimas para o alívio e vinho, diria algumas taças de vinho.

Já são 29 dias em isolamento. A fase de euforia dos meninos por estarem em casa conosco passou. Eles ainda seguem felizes por estarmos juntos, claro, mas passaram a falar mais da escola, da saudade dos amigos e da rotina.

“Esse coronavírus é uma merda!” – durante o dia a fala espontânea de Benício ecoa pela casa.

Antes de ontem meu celular reconfigurou todo. Como praticamente tive que refazer os acessos aos aplicativos, optei por não deixar minhas contas pessoas de mídias acessadas pelo aparelhinho. No final de semana, quis praticar o detox e me fez muito bem – apesar da família toda ter estranhado.

A vida ficou tão mais pesada que neste momento optei por coisas diferentes.

Ho’ponopono voltou com força total.
Sigo tentando lidar com esta falta de controle da situação como um todo, apegada na fé, orando a Deus, me conectando com a espiritualidade, me envolvendo em luzes multicoloridas, minha casa, as cadas dos familiares, dos amigos, do planeta.

Tenho lido mais. Com um tanto de indicação delícia que a Tati me deu pra baixar e ler pelo Kindle, não resisti e agora meu próximo presente material será um ‘oficial’ para a leitura ficar mais prazerosa.
Já li dois livros desde que me permiti à experiência que não o cheiro de papel e as anotações manuscritas.

Hoje, comecei a pesquisar lugares gostosos para passearmos em família quando isso tudo terminar. Meu jeito de demonstrar esperança e a certeza de que nada é permanente. Nem o bom. Nem o mal.

Logo depois do almoço, tomei um banho e fiquei de pijama o resto do dia. Um fofo de nuvens que minha mãe me deu… um jeito de tentar ser poesia nestes dias estranhos. Fiquei trabalhando do quarto, em cima da cama com uma cobertinha nas minhas pernas.

O céu estava lindo. Foi Mimi quem veio me avisar.
Aproveitei e criei um vídeo pelo Google Photos deste primeiro mês de quarentena.

Mais um dia está chegando ao fim. E mesmo sem sabermos uando terá fim, que as oportunidades se renovem a cada dia, que a gente se reinvente quando necessário e que a gente aceite e observe tudo aquilo que precisamos melhorar em nós mesmos.

Coisa mais linda esta música!

“Só levo a certeza
De que muito pouco sei
Ou nada sei
Conhecer as manhas e as manhãs
O sabor das massas e das maçãs
É preciso amor pra poder pulsar
É preciso paz pra poder sorrir
É preciso a chuva para florir
Penso que cumprir a vida
Seja simplesmente
Compreender a marcha
E ir tocando em frente
Como um velho boiadeiro
Levando a boiada
Eu vou tocando os dias
Pela longa estrada, eu vou
Estrada eu sou…”

E assim seguimos. Um dia de cada vez. Com calma e com alma.

Meu beijo,
L.

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Só por hoje.

Atibaia, 12 de abril de 2020.

ouvindo “Só Por Hoje”, de Legião Urbana.

Já estamos em isolamento social há 27 dias aqui em casa. Antes de termos iniciado a quarentena, eu inexplicavelmente comecei a sentir uma angústia estranha. Não conseguia encontrar respostas. Achei que pudessem ser os hormônios, mas não.

Enfim chegamos ao período que estamos vivendo e então entendi o que meu corpo estava querendo me dizer. Porque se prestarmos bem atenção a nós mesmos, sempre somos avisados de alguma forma…

Lembro que estava feliz no final de semana do dia 13. Iríamos para Vinhedo e na hora de buscar os meninos na escola, beijei e abracei os pais das crianças enquanto estávamos na praça. Apesar de sempre ficarmos por lá, aquele dia estava atípico. Tinha muito mais gente. O céu estava lindo, e o assunto coronavírus já ganhava destaque.

Hoje penso que parecia que todos nós sabíamos que algo não seria mais como antes depois daqueles dias.

Curtimos o final de semana e desde o dia 16, segunda-feira, decidimos que nos isolaríamos – mesmo que nenhuma medida oficial tivesse sido decretada.

Uma, duas, três, quatro semanas já se foram.
Sabe-se lá quanto tempo mais isso vai durar.

No início, todos os dias tentei fazer atividades com as crianças. Algo mais pedagógico, mais artístico. Como a agenda do Lu seguiu até mais frenética, ficava com as crianças durante todo o dia e por volta das 17h, entrava em contraturno para conseguir dar conta do trabalho. Mas ao final da primeira semana, já não conseguia absorver mais nada.

Decidi que viveria um dia de cada vez.
Que seguiria o fluxo e que não teria tanta rotina.
Que ia sentir tudo que chegasse até mim.

E nesta quarentena, eu que lute.
Eu que lute para encontrar algo bom no viver, todos os dias.
Eu que lute para agradecer a saúde de todos nós.
Eu que lute para separar as brigas dos meninos.
Eu que lute para não enlouquecer nas birras sem fim.
Eu que lute para aceitar que quando pior eu ficar, pior eles ficarão.
Eu que lute para admitir que sou o equilíbrio de casa.
Eu que lute para não surtar e gritar e berrar.
Eu que lute para dar conta do trabalho, da casa, da comida, das crianças.
Eu que lute contra a frustração de não conseguir fazer aquele curso que antes era um absurdo e agora está baratinho.
Eu que lute contra minha autocobrança.
Eu que lute para manter a sanidade mental.
Eu que lute para não chorar ao ver a casa uma zona logo depois de terminar de arrumar o último cômodo.
Eu que lute para conseguir trabalhar no meio da zona.
Eu que lute pelos momentos de silêncio.
Eu que lute pela paz da solitude.

Que eu me lembre, dia após dia, de todos os meus privilégios; mas que em meio ao caos emocional que se instalou, que eu não me julgue menos merecedora de viver o que estiver de mais latente em mim, em meus poros, em minh’alma.

E vamos para mais uma semana.
Quase TPM de novo.
Que Deus e os Anjos me ajudem.

Meu beijo,
L.

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Casa de vô, casa de vó

Atibaia, 12 de março de 2020.

Ouvindo “I say a little prayer” – Aretha Franklin

Tentei chegar da casa da minha mãe ontem e escrever este texto, mas ando tão exausta de computador por conta do meu trabalho que preferi me deitar e desanuviar a mente assistindo ao Saia Justa no GNT seguido da estréia do programan Caminho Zen, com a Monja Cohen e a Fernanda Lima.

Mas hoje, era questão de honra.

Porque sinto uma urgência em tentar registrar os detalhes do que me é importante, das rotinas que eu gosto muito, que me norteiam. Beni é um pouco assim também… ele precisa saber qual será o passo seguinte, quais serão nossos programas do final de semana, qual a ordem dos aniversários da família no calendário. Saber o que virá traz calma na alma pra ele. Costumava chamar isso de ansiedade, mas hoje, racionalmente falando, vejo que ele puxou a mim. Não é ansiedade o nome disso, mas sim, segurança.

Pois em nossa rotina semanal, toda quarta-feira é dia de ir visitar a vovó Nina e o vovô Pepê. Eles ficam felizes porque sabem que na casa do vô e da vó é sempre uma festa…

Meu pai nunca deixa faltar cookies ou calypso, e sempre coloca num local estratégico pra eles alcançarem quando chegam na casa deles.

-“Qual suco eles mais gostam?”, ele me pergunta
-“Pai, eles vão tomar o que tiver!”, eu digo

Já que não foi a resposta correta, por observação ele se liga que não pode faltar na casa dele água de coco e sucos de limão, tangerina e uva – bebidas favoritas dos netos mais novos. Dudu já prefere a cervejinha!

Lanchinho garantido, depois lá vai Mimi abrir o congelador da geladeira que fica na parte debaixo para procurar um gelo ou um picolé. E lá vão eles pra fora se lambuzar… (mas não sem antes escutarmos um “vó, mãe, fica aqui comigo?”)

Depois de se saciarem, normalmente vão ver o que está passando na TV. Beni já prefere assistir jogos com o meu pai enquanto Mimi é mais aberto para as sugestões de filmes novos que minha mãe coloca e assiste com ele.

Aqui em casa, eles raramente me deixam escolher um programa novo. O mérito é todo dela, que entra neste mundo lúdico junto de seus netos. Grita se vê um dinossauro, vibra quando o vilão é derrotado, abraça eles quando tem uma cena de perigo ou susto. É emocionante poder viver isso com eles.

Passado algum tempo, lá vem Mimi com a pergunta de sempre:
– “Mamãe, trouxe meu pijaminha?”

Se ele perguntou, já sei que é porque o vovô chamou os meninos para a hora do banho. Os xampus são de heróis como eles gostam, minha mãe normalmente seca eles e põe o pijaminha e depois, penteia o cabelo deles e passa perfume.

Depois deste ritual, Mimi normalmente se aquieta e dorme… Beni ainda demora para conseguir se manter mais calmo, mas aos poucos vai se entregando ao cansaço.

E eu aproveito para tomar um banho relaxante enquanto eles curtem a presença dos avós.

Ontem especialmente, estava quase sem energia. Um cansaço me atingia e eu só pensava no quão desafiador é criar filhos, no quanto existem fases que são tão mais penosas, e pude contar com os ouvidos compreensivos da minha mãe, que me ouviu e me aconselhou.

Agradeci por tê-la aqui comigo. Por ter colo e carinho, palavras de conforto.

Estou há alguns dias tentando marcar de ver alguns amigos, mas ninguém tem tempo disponível. Cada um seguindo com suas lutas, seus afazeres, seus compromissos.

Mas tem dias que a gente precisa mesmo é desta conversa física, olho no olho, abraço, um “calma filha, é uma fase que vai passar!”.

Saímos de lá depois de pedir a bênção, e sei que ela orou com mais afinco. Arrisco até dizer que acendeu uma vela, porque hoje acordei bem melhor.

E por mais que a vida às vezes esteja de cabeça pra baixo, saber que os tenho e que tenho esta rotina confirmada às quartas faz meu coração vibrar muito.

Eu amo vocês, pais.

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Os 4 anos de Mimi

Atibaia, 21 de fevereiro de 2020.

Ouvindo “Pé na areia”, de Diogo Nogueira.

Escolhi essa música pra ilustrar os 4 anos de Mimi porque ele ultimamente tem cantado bastante. Aliás, as músicas de verão que o GNT escolhe para a temporada do início do ano sempre viram parte da playlist musical de casa. Ano passado, a gente até dançava toda vez que tocava “Ginga”, da Iza.

Amanhã Miguel completa 4 anos. Celebrar mais um ano de vida de nossos filhos é sempre muito especial. Uma fase que fica pra trás, a gratidão por termos sido abençoados com mais um ano de saúde e união e possibilidade de crescimento mútuo, nesta grande arte que é construir uma família.

Desejo que esteja sempre protegido, com bons amigos, alegria de viver. Que continue sendo este SOL de menino, com estes olhinhos brilhantes e uma animação ímpar. Que continue fechando os olhinhos quando limpamos seu ouvido com o cotonete, que continue querendo pular em nosso colo como se fosse “atacar” e que sua relação com o Beni siga linda… complementar…

Amo você, meu Filho.
Você traz luz aos nossos dias.
Feliz aniversário, feliz vida!

Com amor,
Mamãe.

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Beni e seus 3 anos

[E então celebramos seus 3 anos!] . 22/07/2017

Filho, meu menino,

Três anos atrás você chegava em nossa família para nos mostrar o real significado da palavra AMOR. Tudo virou de cabeça pra baixo, nossas preocupações anteriores foram exterminadas quando ao te ver tão pititico, imaginávamos o tamanho da responsabilidade sem volta que viria pela frente. Viramos pais. Você nos transformou.

Seu olhar de tanta ternura e seu sorriso tão amoroso e sincero são suas grandes marcas registradas, fonte de uma energia de paz e renovação inesgotável que acessamos dia após dia, quando despretensiosamente você chega pertinho para nos dar um abraço inesperado ou dizer que nos ama.

Obrigada por ser este filho maravilhoso, educado, amoroso, passando pelo início da primeira transformação de tomada de consciência. Obrigada por cantar pra mim e por me ajudar a acessar minha criança interior cada vez que brincamos ou contamos histórias juntos, em família.

Que seu Anjinho te guie e proteja e que Deus te abençoe com muita saúde meu amor, muitas travessuras e muita energia positiva para transformar o mundão com este seu jeito cativante de ser.

Feliz aniversário para o meu Super Beni, um dos meus grandes super-heróis.

Te amo minha Vida!
Do umbigo.
Mamãe

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Meus Passarinhos estão crescendo…

Atibaia, 21 de fevereiro de 2020.

Ouvindo “Laços”, do Tiago Iorc.

Já tem um tempão que eu venho aqui para escrever, e sim, pra me reler. Retornar ao ritual de escrever manualmente foi um hábito lindo que retornei em 2019 e neste ano não quis fazer diferente.

O fato é que não quero deixar ‘buracos’ neste meu livro da vida virtual.

É bem clichê dizer que “não vi janeiro passar”; ouvi tanta gente reclamar que o mês durou muito, mas pra mim, pareceu seguir rápido demais.
Será a fase da vida? A alternância entre ser a mãe que acompanha e vê os filhos crescendo e a empreendedora que pensa e toca dois projetos profissionais ao mesmo tempo? A estudante que quer entender tudo sobre o trabalho remoto para documentar processos totalmente novos? Ou ainda, a menina que busca pela paz da solitude para terminar as séries favoritas ou até mesmo voltar àquele plano de ler 1 livro por mês?

Sou muitas. Somos muitas.

Neste ano que passou e no início deste, vivenciei o salto de desenvolvimento dos meus meninos de maneira visceral. Do dia pra noite, eles já não me pediam ajuda para o banho. Querem fazer tudo sozinhos. Beni acorda e quer ajudar o Lu a arrumar a mesa, preparar o nosso café. Eles já me dizem: “Ah mãe, você tá de brincadeira, né? Esse desenho é de bebê!”, quando procuro algo na TV. Mas a mais chocante foi a que aconteceu no dia 19 de fevereiro, saindo da escola: na hora de voltar pra casa, perguntei ao Beni e ao Mimi: “Quem são meus nenéns?” Até uma semana atrás, cada um deles respondia em alto e bom sou: “eu!”. Mas aquele dia não. A resposta do Beni foi categórica:

– “Mãe, ninguém aqui mais é neném. Eu sou uma criança de quase 6 anos e o Mimi é uma criança de quase 4 anos.”

Oi? Quase chorei com aquele diálogo. Não sei se porque mercúrio está retrógrado, se minha sensibilidade está mais aflorada ou se foi um luto instantâneo por ver meus filhos crescendo.

Por outro lado, vejo o quanto vou recuperando a minha própria vida, meu próprio tempo. E olha que está longe de ser um ‘ninho vazio’, eles ainda estão aqui, pertinho, mas foi muito nítida a evolução e percebi o quanto a vida é agora. O quanto nos transformamos a cada minuto. Mas também, no quanto seguimos juntos, querendo o acolhimento um do outro, no chamego quando eles pedem na hora de dormir, no carinho espontâneo quando eles me sentem tristes.

Penso que a música do Tiago transcreve muito bem essa fase:

“Todo caminho trilha um sol
Dentro do olhar de cada um
Se conhecer pra se gostar
Ser mais forte por acreditar
Na alegria de viver
Cada suspiro é gratidão
De ver entrelaçar as mãos
Que juntas podem muito mais
Ter um norte
Pra poder sonhar
Ser a brisa
Vendaval pra transformar
Gota de lágrima
Trovão que vem do mar
Revolução
E a chance pra recomeçar
Quero a sorte
De reaprender
Essa vida…”

Eu sou muito feliz por viver tudo isso ao lado deles. Por vê-los se transformar e também, por me transformar a cada dia.

E que neste período de reaprendizados, que eu me priorize, me intensifique, me reencontre cada vez que me sentir meio sem norte, cada vez que eu mesma me sentir órfã deles. E que eu os veja livres, potentes, sensíveis, amorosos e me orgulhe do caminho que estão trilhando.

É muito bonito viver tudo isso em família.

Meu beijo,
L.