Publicado em Clarice Lispector

Hoje é dia de Clarice.

Há um mês eu tenho vivido uma fase um pouco conturbada, turbulenta. Eu penso, repenso, me isolo, escuto meu coração, falo comigo mesma, me revolto, me acalmo… tem a TPM, tem o dia a dia, tem a saudade do Lu, tem as adaptações de sempre…
Depois de muito pensar, analisar, escutar o coração, me reencontrar, encontrei a minha luz no fum do túnel. No meio desse vai e vem quase deixo o Lu louco, rs… mas ele me entende, me olha nos olhos e me diz: “Você é a complicada e perfeitinha mais linda do mundo!”. E está sempre lá, com a paciência infinita, segurando minha mão e dizendo: “Calma, encontraremos a solução juntos”.
Que sorte a minha ter este anjo em forma de ser humano ao meu lado.
I’m a really lucky woman! 😉

Também não posso deixar de agradecer aos meus amigos queridos e amados que sempre entendem este meu recuo quando se faz necessário. Não é que eu não queira compartilhar os problemas com vocês, mas acho que para a gente se doar, é preciso estar bem com a gente mesma. Agora eu estou! 🙂

Para deixar registrado este capítulo que está sendo encerrado, e todo aprendizado que ele me trouxe, escolhi Clarice para ilustrar meus sentimentos.

Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro.
Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento.
Enquanto eu tiver perguntas e não houver respostas… continuarei a escrever.
Ah, e dizer que isto vai acabar, que por si mesmo não pode durar. Não, ela não está se referindo ao fogo, refere-se ao que sente. O que sente nunca dura, o que sente sempre acaba, e pode nunca mais voltar. Encarniça-se então sobre o momento, come-lhe o fogo, e o fogo doce arde, arde, flameja. Então, ela que sabe que tudo vai acabar, pega a mão livre do homem, e ao prendê-la nas suas, ela doce arde, arde, flameja.
…estou procurando, estou procurando. Estou tentando me entender. Tentando dar a alguém o que vivi e não sei a quem, mas não quero ficar com o que vivi. Não sei o que fazer do que vivi, tenho medo dessa desorganização profunda.

Não entendo. Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender. Entender é sempre limitado. Mas não entender pode não ter fronteiras. Sinto que sou muito mais completa quando não entendo. Não entender, do modo como falo, é um dom. Não entender, mas não como um simples de espírito. O bom é ser inteligente e não entender. É uma benção estranha, como ter loucura sem ser doida. É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice. Só que de vez em quando vem a inquietação: quero entender um pouco. Não demais: mas pelo menos entender que não entendo.
Porque há o direito ao grito.
então eu grito.
Saudade é um pouco como fome. Só passa quando se come a presença. Mas às vezes a saudade é tão profunda que a presença é pouco: quer-se absorver a outra pessoa toda. Essa vontade de um ser o outro para uma unificação inteira é um dos sentimentos mais urgentes que se tem na vida.
Sou caleidoscópica: fascinam-me as minhas mutações faiscantes que aqui caleidoscopicamente registro.
E se me achar esquisita, respeite também. Até eu fui obrigada a me respeitar.

E nem entendo aquilo que entendo: pois estou infinitamente maior que eu mesma, e não me alcanço.
Fique de vez em quando só, senão será submergido. Até o amor excessivo pode submergir uma pessoa.
Tenho várias caras. Uma é quase bonita, outra é quase feia. Sou um o quê? Um quase tudo.

Meu beijo,
L.

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Uma alma pulsante!

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