Publicado em Vida real

Dia das mães.

Atibaia, 13 de maio de 2017.

Ouvindo “Espatódea” – e chorando de emoção. 

Amanhã é o dia das mães.

Lembro-me muito bem daquele ano de 2013, quando no auge da minha saudade do Lu e solitude inquietante, duas pessoas muito próximas e queridas disseram pra mim:

– Lilli, você precisa ter um filho!

Eu, sem dar atenção alguma, achei a ideia absurda. Como ter um filho na situação em que eu e o Lu vivíamos? Ele sem tempo pra nada, sempre correndo pra lá e pra cá e apagando incêndios no trabalho? Impossível!

“Não serei mãe sozinha”, eu pensava.

Pois em abril, ele mudou de emprego. Finalmente teríamos uma rotina! Nosso segundo casamento estava próximo e sonhávamos em, finalmente, desfrutar de uma vida “normal” de um casal com tempo livre. Setembro chegou. Nosso casamento passou. Outubro começou. Entrei neste mês sozinha e terminei o dia 31 sendo dois. No auge do meu egoísmo e tantos mimimis causados pelo sentimento de solidão que muitos atravessam, eu que só pensava em finalmente curtir meu marido, tive meus planos transformados por Deus. No dia 2 de dezembro de 2013, naquela noite chuvosa e inesquecível, dois pauzinhos azuis mudaram tudo.

O primeiro grande ensinamento que meu primeiro mestre Benício me proporcionou é o de que eu precisava cuidar melhor do meu corpo, do meu santuário; afinal, a minha disciplina em cuidar de mim mesma e me amar era o que o faria crescer saudável, forte.

Quando Beni nasceu, Deus me mostrou que nada está sob controle. Ali estava o meu segundo grande ensinamento. Eu, virginiana chatinha cheia de manias, listas, scripts e regras, tive que me adaptar à resiliência, fé e confiança.

Quando chegamos em casa e então éramos apenas eu e ele, tive meu terceiro grande ensinamento: a aceitação de que não sou e nem nunca serei perfeita, tirando de mim a culpa por não ter conseguido amamentá-lo da maneira que sempre quis e sonhei.

E assim, de tempos em tempos, vinha o meu pequeno mestre me mostrar lições importantes que eu ainda estava longe de aprender.

No dia 28 de junho de 2015, descobri a minha nova gestação. Era Mimi chegando. Durante todos os nove meses, pensava e repensava em como eu conseguiria encontrar espaço em meu ser para amá-lo tanto quanto amava Benício.

E este foi o primeiro grande ensinamento que o meu segundo mestre me proporcionou: que amor de mãe é inesgotável. É multiplicador. Infinito. Transbordante.

Eu me lembro bem um dia, enquanto conversava com minha mãe, falávamos sobre as gestações dela. Minha irmã chorou durante um ano ininterruptamente. A gravidez do meu irmão foi bastante delicada, minha mãe precisou de muito repouso.

Eu então perguntei a ela: “mãe, depois de tantos traumas, como foi possível ter engravidado de novo?”

Eu já era mãe e já sabia a resposta. A amnésia materna é uma coisa impressionante. É impossível nos lembrar do que é ruim na experiência.

Quando Mimi nasceu, Beni tinha apenas 1 ano e meio. Eu já tinha me esquecido completamente de como era passar noites em claro e vivendo em exaustão. Como pode? Se eu tinha vivido isso tão recentemente? É que os abraços e beijinhos e carinhos espontâneos sempre permanecem muito mais na memória que as noites em que tivemos que passar acordados.

A experiência do maternar é a coisa mais edificante que pode acontecer na vida de uma mulher. Nossa fraqueza se vai, dando lugar a uma força que não se explica. Só quem é mãe sabe. Sente. É indescritível. O amor por um filho é surreal, o melhor sentimento que pode ser experienciado. Nossos filhos são os reflexos de quem somos; vê-los crescer bem emocionalmente e fisicamente é nosso maior e melhor presente diário. Uma construção ininterrupta de erros e acertos, tentativas incessantes, correções e celebrações aqui e ali. E não falo apenas do ensinamento passado de pai/mãe para filho, mas especialmente do ensinamento passado de filho para pai/mãe.

Pois naquele ano de 2013, o conselho estava certo: eu precisava mesmo de um filho.

Vieram logo dois. As duas grandes surpresas da minha vida.
E então, eu me tornei mãe. E por toda a experiência divina contida nesta relação maternal, eu agradeço.

Obrigada, Benício e Miguel, por me tornarem mulher e mãe, por me ajudarem a deixar pra trás aquela menina egoísta e por me permitirem mergulhar na pureza dos seus olhares e em minha própria criança interior.

Eu amo vocês. Do umbigo.
Do âmago.
Mamãe.

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Uma alma pulsante!

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