Sobre Diálogos e Esperança

Atibaia, 02 julho de 2018.

Ouvindo “Se todos fossem iguais a você…”

Encho meu coração de alegria para escrever o post de hoje. Escolhi “Se todos fossem iguais a você…” porque lembra a minha infância, quando ouvia meus pai cantando Tom Jobim no carro quando ia me levar para escola, mas que também me transporta ao dia da minha colação de grau da formatura de Hotelaria, onde me emocionei tanto cantando essa mesma música para meus pais.

Ela vai direto às minhas memórias afetivas relacionadas à educação. Os livros, as bibliotecas, o ensinar e o aprender sempre me fascinaram e fui muito, muito abençoada com todos os professores de minha jornada.

Quando comecei a trabalhar no Yázigi como consultora de vendas, tive contato mais direto com a área educacional por meio da Nani – orientadora pedagógica da escola. Seus olhos brilhavam de tal forma ao falar sobre  Vygotsky e socioconstrutivismo que me despertou a vontade de pesquisar mais e mais sobre as diferentes linhas pedagógicas.

Daí, eu me tornei mãe. Meu interesse aumentou ainda mais. Enquanto fiquei com meus filhos em casa por três anos, tinha um plano: fazer o MBA em Gestão Escolar para conseguir efetivamente entender melhor sobre a educação vivenciando as dores e alegrias diárias pensando na possibilidade de – desta forma – estar mais perto dos meus filhos. A ideia era mapear escolas que eu achasse interessante para os meninos e tentar uma colocação. Plano traçado, faltava estudar e terminar o MBA.

Em dezembro, quando fui defender minha tese na Esalq – “O despertar afetivo para o conhecimento: aprendizagem e autonomia na melhoria da qualidade da escola”, baseado na teoria de Wallon, minha coordenadora e a professora convidada para a banca disseram que era muito interessante ver a esperança nos olhos de alguém que não vivia o ambiente educacional no dia a dia, e que às vezes, esta mesma esperança é o que pode ser o pontapé inicial para tentar fazer diferente – ainda que de pouquinho em pouquinho.

Bem, a vida me ofereceu novos caminhos e possibilidades e voltei ao mercado atuando em uma área diferente da educação. Mas o Universo é tão poderoso que coincidiu vontades… foi assim que, voltando de SP depois de um longo dia de trabalho, ouvi um áudio no whatsapp sobre um possível novo cliente: a Diálogos. Cheguei em casa super cansada, crianças já dormindo, mas eu fiquei tão entusiasmada com este projeto que quis entender melhor sobre do que exatamente se tratava.

Foi então que me deparei com Fabi e Telma, duas almas perfumadas que sorriem com os olhos e que despretensiosamente começaram uma história de muito diálogo, conexões, despertar, novos olhares para a educação.

Olhar para elas me lembrou um de meus poemas favoritos de Ana Jácomo.
Parte dele diz:

“Tem gente que tem cheiro de passarinho quando canta. De sol quando acorda. De flor quando ri. Ao lado delas, a gente se sente no balanço de uma rede que dança gostoso numa tarde grande, sem relógio e sem agenda. Ao lado delas, a gente se sente comendo pipoca na praça. Lambuzando o queixo de sorvete. Melando os dedos com algodão doce da cor mais doce que tem pra escolher. O tempo é outro. E a vida fica com a cara que ela tem de verdade, mas que a gente desaprende de ver. (…)

Pensando em compartilhar e estabelecer o diálogo de formas diversas, elas criaram uma empresa sem saber que estava sendo criada, tamanho brilho em seus olhos com este projeto. Em quase uma década de existência, com elas é possível viver este despertar de muitas formas: por meio das Viagens Pedagógicas, onde procuram por realidades educacionais que inspiram, instigam o olhar e provocam reflexões nos professores atuantes na Primeira Infância das crianças, nas Formações que acontecem na Casa Diálogos, um lugar de tanto amor e acolhimento que não dá vontade de ir embora, tamanho carinho impregnado em todas as paredes coloridas daquele espaço e também pela Embalados, onde mensalmente você recebe um livro que promove uma leitura formativa ou reflexiva, uma prática pedagógica realizada por uma escola parceira e um mimo sempre especial, que nos faz ter vontade de construir uma biblioteca linda com muitas anotações e reflexões.

Elas sempre me dizem que a palavra do ano de 2018 delas é TRANSFORMAÇÃO.

Pelo dicionário, a palavra significa qualquer tipo de alteração que modifica ou dá uma nova forma a.

Acho que a verdade é que esta deveria ser a palavra de todas que conhecem vocês. 🙂

“Se todos fossem iguais a vocês, que maravilha viver…” 

Vida longa a este projeto que em todas as suas frentes acolhe, encanta, provoca, forma, troca, transforma. Vida longa a todas as pessoas que não desistem de lutar por uma educação melhor.

Gratidão por este encontro.

Meu beijo,
L.

 

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