“Qual o preço as pessoas pagam por te amar?”

Atibaia, 31 de março de 2019.

Ouvindo “Love is still the answer” – Jason Mraz

“The question I’ll ask at the end of my days
Is what did I give and what will I take?”

Ela nem sabia, mas quando me falou sobre a evangelização infantil do Centro que começaria em março, a Van – minha vizinha querida – abriu espaço para o início de uma transformação.

Três semanas atrás, no primeiro dia que levamos os meninos, tivemos uma grata surpresa: os pais também teriam sua hora de diálogos e questionamentos.

As conversas girariam em torno do casamento – nossa maior fonte de crescimento interno, já que experienciamos a intimidade nua e crua, suas dores e delícias.

Ontem especialmente, as discussões trouxeram pautas que couberam direitinho com o que estava passando naquela semana. (Essas “coincidências” da vida…)

Valtinho tem o dom da oratória, mas mais que isso, suas colocações chegam ao âmago, como se não houvesse outra alternativa a não ser revisitar tudo que anda em desalinho para dar um basta e recomeçar.

Falávamos sobre a mudança do casamento com a chegada dos filhos. Sobre o quanto no ambiente externo usamos máscaras e sabemos dosar nossa paciência e tolerância, mas também o quanto trazemos todo peso do mundo para dentro do nosso lar e, ao invés de purificarmos nosso ambiente de restauração emocional, acabamos por jogar mais lixo e o pior, não poupamos as pessoas que teoricamente deveriam ser as que mais teríamos que proteger dos maus sentimentos e vibrações.

Foi aí que veio a pergunta: “qual o preço as pessoas pagam por te amar?” Forte, né? Eu pelo menos achei. Fiquei pensando em minha própria rotina, onde ultimamente o cansaço e a exaustão tem tomado conta do meu corpo e onde tem sobrado bem pouco para fazer coisas onde efetivamente eu me encontro: falta energia para escrever sobre vida cotidiana, para estruturar meu livro, para meditar, para lançar as TAGS ‘maternidade e carreira’ e ‘escrita terapêutica’, ou para estudar mais, ler, assistir às séries favoritas. Vem faltando energia vital para sentir pulsação pela vida. E sempre que tudo entra no piloto automático, eu também entro em parafuso. Qual o sentido de fazer planos para o futuro, se eu não consigo cumprir os planos de viver o hoje?

A cabeça dá um nó. Quando sinto essa angústia de não ser a protagonista da minha história, às vezes me frustro. Mas eu também muitas vezes esqueço de ter compaixão por mim mesma: não estou conseguindo fazer as coisas por mim, mas estou prestando atenção na educação e evolução dos meus filhos, em harmonizar o lar com vibrações de amor e positividade, na oração ao Universo que vem da alma sobre o encontro de resoluções, intuições e orientações.

E aí, entramos no ponto: falamos ontem sobre o quanto a mulher tem esse dom – e esse peso – de ser sempre a responsável pela estrutura harmônica do lar. Basta a gente cair, que todos caem. Reação em cadeia.

Mas o fato é: quem cuida da gente?

Voltamos ao casamento. À parceria. Falamos sobre o quanto a vida vai tirando das relações o “verniz” que deixa tudo bonito. O prestar atenção ao outro. O ouvir com atenção e olhando nos olhos – e não na telinha do celular. No quanto as mulheres passam por transformações hormonais mensais e que poucos homens têm a empatia de entender que muitas vezes só precisamos de abraço e acolhimento – e não de soluções.

Falamos também sobre amor-próprio. Sobre o quanto estarmos seguros de nossos limites, de nossos sonhos, de nossa conduta, aceitamos ou não determinados padrões vindos de outra pessoa. Na psicologia – eu não sabia – quanto menos uma pessoa se ama, mais ‘traumáticos’ serão os relacionamentos. Ouvir de pessoas de fora “ele/ela não era pra você, você merece alguém bem melhor” faz com que o comentário fomente esse amor próprio que a própria pessoa não consegue destacar/encontrar.

Que coisa maluca!

Na teoria, o mandamento é fácil: “amai ao próximo como a ti mesmo.” E aí, a gente se pergunta: “como eu estou me amando?”. Porque não somos atraídos por pessoas opostas, e sim por semelhantes. É pura energia vibracional.

Então, se a sua, a minha, a vida de todo mundo está um caos, sinto muito: a culpa é nossa mesmo. Não tem como escapar. E isso que dói mais na terapia, tocar o que incomoda, enfiar o dedo na ferida e tomar consciência que só depende de nós.

“Amores que duram são feitos de construção”.

Encontrar alguém que queira trocar esta experiência incrível e desafiadora que é crescer, viver e evoluir junto é coisa rara. Mas nossa conclusão é: se o motivo principal de união do casal tiver sido o amor, sempre haverá espaço para recomeços. Tantas vezes quanto forem necessárias.

Pra terminar esse texto e fazer minha auto-avaliação sobre o que preciso alinhar na minha rotina, deixo Artur da Távola para inspirar.

“Se o amor existe, seu conteúdo já é manifesto. Não se preocupe mais com ele e suas definições. Cuide agora da forma. Cuide da fala. Cuide do cuidado. Cuide do carinho. CUIDE DE VOCÊ. Ame-se o suficiente para ser capaz de gostar do amor e só assim poder começar a tentar fazer o outro feliz.”

“…cuide de você…”

Meu beijo,
L.

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