Desafios familiares

Atibaia, 14 de janeiro de 2020

Ouvindo Doubt – Shallou – em modo repeat!

Comecei este post 2 dias atrás… tenho fé que hoje eu consiga conclui-lo.

Hoje o Lu não passou bem e caiu uma agenda nossa para São Paulo. Como já era a 2ª vez que ele sentia um mal estar relacionado a uma dor forte na cabeça, achamos melhor ir ao hospital. Ele estava com enxaqueca.

Depois de medicado, fomos almoçar. Encontrei por lá uma amiga que há tempos não via e falamos sobre a sua filha primogênita e como ela estava grande.

Disse a ela: “ainda bem que eles crescem, né?”

Não tinha entendido muito bem a cara de “dúvida” que ela fez mas no fim do dia, consegui entender melhor ao pegar os meninos na escola. É que Beni tinha se desentendido com um amiguinho e tinha aprontado umas a mais…

Pensei na dura missão de educar, porque nós ensinamos uma coisa em casa, mas às vezes, olhar o que os amigos fazem é mais legal – pelo ponto de vista deles. E você falar e ensinar uma, dez, mil vezes é cansativo. Passa por um processo de observação, auto análise, diferentes formas de comunicação pra entender qual será melhor absorvido. Passa pela culpa de achar que ‘estamos fazendo de menos’. Pelo medo de ‘será que estou ensinando certo?’

Ano passado, tivemos um episódio na escola: um colega colocou o pé na frente dele pra ele cair e ele fechou a mão e socou as costas dele. Foi a reação a uma ação, mas violência não leva a nada.

Costumo dizer pra ele pedir para o colega parar quando ele se sentir mal ou ofendido, e se mesmo assim não for respeitado, que ele peça ajuda para a professora ou alguém mais velho que consiga auxiliá-lo.

Em casa, eu mesma sou essa pessoa quando ele e Mimi estão discutindo. Às vezes sou mais severa, n’outras sou mais calma.

Mas aí, eu fico pensando: qual é essa linha tênue entre dizer que ele precisa de ajuda e deixá-lo resolver mesmo por si só e aprender com isso? Por ora OK, claro, ele tem só 5 anos, mas até quando a ‘ajuda’ é bem vinda? Qual o limite da superproteção, se os quero livres e capazes de lidar com suas dores e frustrações?

Indagações… mais alguém?

Eu não sei como é com vocês, mas aqui em casa os meninos disputam muito a nossa atenção quando estão com a gente. Um quer falar mais alto que o outro. Se eu começo a conversar com o Luiz, sou interrompida por mais que eu fale

T O D A S

as vezes que eles precisam respeitar e que quando um fala, o outro escuta e depois responde e por aí vai.

Acontece que eles vivem no mundo da ansiedade. Não precisam esperar por nada! Não tem paciência pra assistir a uma propaganda na TV. Pulam os anúncios do Youtube. Não precisam esperar pela hora do desenho favorito. A música que mais gostam está a um clique. Então, se eles são frutos de um meio tão ansioso, como ensiná-los a esperar?

Por aqui, a gente ainda insiste em ouvir mais rádios quando estamos no carro pra que eles fiquem felizes ao escutar a música que gostam. Ou então, não ligamos a TV pra que eles inventem algo pra fazer. {E a escolha é sempre o lápis de cor e papeis para desenhar, ou o jogo de dominó que os entretém.} O silêncio nunca é contemplado. Nunca.

N U N C A.

Por mais que eu tente, nunca consegui fazê-los se aquietarem e sentirem paz nisso. Logo eu, que desde a infância tinha como passaporte favorito ficar em cima de uma árvore sozinha olhando o movimento da rua. É frustrante. É desafiador. Às vezes – confesso – é desesperador.

A gente não aprova o consumismo, mas aí o melhor amigo tem tudo sem limites. A gente não baixa joguinhos, mas aí “o pai do fulano é irado porque baixou um jogo novo. Por que só eu não posso jogar?”

Como é que a gente lida com questões fundamentais que tem pontos de vista tão diferentes entre as famílias?

São tantas questões, tantos desafios. Às vezes eu e o Lu combinamos de desligar os celulares e tentar assistir a um filme X ou a terminar uma conversa Y, que quase sempre está relacionada ao trabalho ou às crianças.

Se estamos assistindo ao filme, eu não aguento. Quase sempre durmo. O diálogo – se estou na TPM – me irrita porque eu não acredito que não somos mais capazes de conversar sobre algum assunto mais legal que as responsabilidades e chatices da vida adulta. E às vezes começo a chorar achando que minha vida é “boring” demais.

Eu tenho uma teoria.

Nesta época de entrega total com os filhos pequenos que é tão intensa, que falta espaço para o diálogo para as coisas gostosas da vida. Adoro quando consigo ficar meio ‘alegrinha’ com um vinho logo depois que os meninos dormem porque sei que estarei mais ‘leve’ pra ter um papo mais gostoso com o Lu, mas às vezes isso me custa uma dor de cabeça enorme no dia seguinte porque não durmo o suficiente e aí, preciso usar a criatividade e concentração para as coisas da empresa mas a minha vontade será de passar o dia na cama.

Na vida adulta, o preço a se pagar por algumas irresponsabilidades juvenis é muito alto. (No nosso caso, claro, que não temos ajuda nenhuma com eles em casa).

E aí, quando os filhos vão embora, não reconhecemos mais as pessoas que estaveram ao nosso lado por uma vida inteira. Porque a gente não teve tempo de se olhar mais enquanto ambos estavam evoluindo e crescendo.

Será que aquela piada ainda vai ter graça? Será que ele vai me achar romântica demais? Por que a gente parou de rir? Onde está nossa leveza?

Eu e o Lu temos um acordo: aguentarmos essa fase da maneira que dá, haha, desde que isso faça sentido para nós dois, e de modo que a gente continue fazendo planos futuros para médio e longo prazo, com ou sem os meninos.

Uma forma de mentalmente termos a certeza de que estamos caminhando e que lá na frente, poderemos nos reinventar enquanto “casal maduro”.

Entre tantas questões, indagações, medos e alegrias, peço sempre proteção e discernimento para que este projeto de família seja construído da melhor maneira possível, ainda que errando tentando acertar, sempre baseado no amor.

Ufa! Terminei! 🙂

Meu beijo,
L.

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