Atibaia, 21 de fevereiro de 2020.

Ouvindo “Laços”, do Tiago Iorc.

Já tem um tempão que eu venho aqui para escrever, e sim, pra me reler. Retornar ao ritual de escrever manualmente foi um hábito lindo que retornei em 2019 e neste ano não quis fazer diferente.

O fato é que não quero deixar ‘buracos’ neste meu livro da vida virtual.

É bem clichê dizer que “não vi janeiro passar”; ouvi tanta gente reclamar que o mês durou muito, mas pra mim, pareceu seguir rápido demais.
Será a fase da vida? A alternância entre ser a mãe que acompanha e vê os filhos crescendo e a empreendedora que pensa e toca dois projetos profissionais ao mesmo tempo? A estudante que quer entender tudo sobre o trabalho remoto para documentar processos totalmente novos? Ou ainda, a menina que busca pela paz da solitude para terminar as séries favoritas ou até mesmo voltar àquele plano de ler 1 livro por mês?

Sou muitas. Somos muitas.

Neste ano que passou e no início deste, vivenciei o salto de desenvolvimento dos meus meninos de maneira visceral. Do dia pra noite, eles já não me pediam ajuda para o banho. Querem fazer tudo sozinhos. Beni acorda e quer ajudar o Lu a arrumar a mesa, preparar o nosso café. Eles já me dizem: “Ah mãe, você tá de brincadeira, né? Esse desenho é de bebê!”, quando procuro algo na TV. Mas a mais chocante foi a que aconteceu no dia 19 de fevereiro, saindo da escola: na hora de voltar pra casa, perguntei ao Beni e ao Mimi: “Quem são meus nenéns?” Até uma semana atrás, cada um deles respondia em alto e bom sou: “eu!”. Mas aquele dia não. A resposta do Beni foi categórica:

– “Mãe, ninguém aqui mais é neném. Eu sou uma criança de quase 6 anos e o Mimi é uma criança de quase 4 anos.”

Oi? Quase chorei com aquele diálogo. Não sei se porque mercúrio está retrógrado, se minha sensibilidade está mais aflorada ou se foi um luto instantâneo por ver meus filhos crescendo.

Por outro lado, vejo o quanto vou recuperando a minha própria vida, meu próprio tempo. E olha que está longe de ser um ‘ninho vazio’, eles ainda estão aqui, pertinho, mas foi muito nítida a evolução e percebi o quanto a vida é agora. O quanto nos transformamos a cada minuto. Mas também, no quanto seguimos juntos, querendo o acolhimento um do outro, no chamego quando eles pedem na hora de dormir, no carinho espontâneo quando eles me sentem tristes.

Penso que a música do Tiago transcreve muito bem essa fase:

“Todo caminho trilha um sol
Dentro do olhar de cada um
Se conhecer pra se gostar
Ser mais forte por acreditar
Na alegria de viver
Cada suspiro é gratidão
De ver entrelaçar as mãos
Que juntas podem muito mais
Ter um norte
Pra poder sonhar
Ser a brisa
Vendaval pra transformar
Gota de lágrima
Trovão que vem do mar
Revolução
E a chance pra recomeçar
Quero a sorte
De reaprender
Essa vida…”

Eu sou muito feliz por viver tudo isso ao lado deles. Por vê-los se transformar e também, por me transformar a cada dia.

E que neste período de reaprendizados, que eu me priorize, me intensifique, me reencontre cada vez que me sentir meio sem norte, cada vez que eu mesma me sentir órfã deles. E que eu os veja livres, potentes, sensíveis, amorosos e me orgulhe do caminho que estão trilhando.

É muito bonito viver tudo isso em família.

Meu beijo,
L.

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