Atibaia, 9 de dezembro de 2020.

Ouvindo “Maestro”, de Hans Zimmer (como amo!)

Clarice Lispector tem me feito companhia neste dezembro e dias estranhos… não só por causa da celebração de seu centenário, mas também porque ela vem me traduzindo inteira.

Já faz 23 dias que minha sogrinha está na UTI. Já faz 23 dias que a vida virou de ponta-cabeça, mas agora de um jeito diferente, porque a virada 180º chegou por causa da falta de saúde. Não é COVID, antes que alguém pergunte, mas uma insuficiência renal que vem sendo delicada de ser controlada.

Ao longo de todo este tempo, tem sido muitas as reflexões.

Uma delas é: quando um de nossos pais vai embora, quem são as pessoas que conseguirão acolher nossa criança interior ou nos dar colo? Como deve ser a vida não tendo mais a certeza que se acontecer alguma coisa, os pais não vão estar ali?

Outra coisa que tem me feito refletir muito, é sobre a dádiva da rotina, porque quando temos a nossa rotina, e por muitas vezes reclamamos dela, e sinal de que tudo está acontecendo bem na vida. E isso é um presente, é uma dádiva.

Penso no Natal chegando e na falta que faz ver as discussões em família sobre onde vamos passar a ceia e o que vamos comer – coisa que acontece todos os anos na maioria das famílias (rs)

Minha sogra nunca foi só a minha sogra. Ela sempre foi uma mãezona pra mim… sempre me acolheu como filha, nossa relação graças à Deus é de uma qualidade muito grande.

É muito delicado a gente querer dar espaço para uma dor que não dá tempo de ser vista e sentida em sua totalidade, porque as demandas cotidianas seguem, nos engolem, nos esgotam. Então, todos os dias, quando as crianças já dormiram, aproveito o chuveiro para descarregar as lágrimas, peço força e sabedoria para ajudar o Lu neste momento tão delicado que é ver uma das pessoas que mais amamos na vida sofrendo e ter essa sensação de impotência, de incerteza.

Viver a incerteza é difícil demais…

Diariamente ouvimos os ensinamentos da Igreja Messiânica para nos fortalecer espiritualmente, recebendo Johrei, pedindo força a Deus, pedindo paciência a ela, luz, esperança, mas especialmente, pedindo que o melhor aconteça.

Seguimos com fé e muita esperança de dias melhores. Com as orações dos amigos queridos, as proteções de Deus e de todos os seres de luz vamos vivendo, desaguando, agradecendo, esperando…

Mas o que a Clarice tem a ver com tudo isso?

Voltei a ler seu livro “Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres”, e li um trecho que fez todo sentido pra mim. Transcrevo aqui para não esquecer:

"Umas das coisas que aprendi é que se deve viver apesar de. Apesar de, se deve comer. Apesar de, se deve amar. Inclusive muitas vezes é o próprio apesar de que nos empurra pra frente. Foi o apesar de que me deu uma angústia que insatisfeita foi a criadora de minha própria vida." 

Vamos lá, sogrinha… vamos lá! Força!
A gente está aqui, por você, pra você, te mandando todas as melhores vibrações de cura, de amor, de carinho…

Te amo, Lê.

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