Elaborando meus sentimentos…

Atibaia, 22 de março de 2021 (terminado em 1º de abril de 2021)

Ouvindo “Death with dignitity” – e chorando!

Parte da trilha da minha série favorita da vida: This is Us

Temos passado por processos tão dolorosos de despertar, de colocar nossa fé em vigor, de acreditar e realmente entregar tudo nas mãos de Deus… sem dúvida alguma, esta é a minha fase mais desafiadora da vida. Sem precedentes!

Ontem fez 3 semanas que minha sogrinha faleceu. Não tivemos tempo de elaborar essa dor! Já na segunda-feira meu sogrinho começou a sentir os primeiros sintomas de COVID, e depois, fomos percebendo que muitas pessoas também apresentavam: Paulo, Jane, tia Helena, Sandra, Paula, Débora, Diego, Kleber, tia Ângela, Wal, tio Elisio, tia Vina, Lídia, Julinho, Maria Cristina, enfim, uma lista que parecia não ter fim…

Todos testaram positivo. Eu e o Lu, a Lu e o Ricardo, não.
O que temos vivido ao longo desses dias tem sido delicado demais…

Lu graças à Deus está ainda mais apegado à fé, em uma transformação de força, coragem, inteligência emocional e sabedoria que me inspira. Ele é o ser mais resiliente que eu já conheci…
Voltou à terapia e está se abrindo para a espiritualidade.

Na semana passada, dia 13, foi um baque atrás do outro.
Durante a semana percebemos que Tide e Paulo não apresentavam melhoras consideráveis… falta de oxigenação, respiração super ruim. Um quadro terrível!
Às 19h soubemos que Tide tinha sido intubado e às 20h soubemos da morte da tia Vina.

A cabeça fica zonza, a gente parece que perde a capacidade de pensamento, sinapses…
Não tá dando pra garantir encontros muito profundos.

Lu mergulhou no trabalho para conseguir lidar com tudo isso. É uma forma dele não pensar e os dias irem passando… já eu busco a arte para me reconectar! Me concentrar no presente, em viver um minuto de cada vez… e de mergulhar nas demandas das crianças para conseguir lidar com isso tudo.


Comecei a escrever este texto dia 22 de março, hoje já é dia 1º de Abril.
As coisas estavam difíceis, mas ainda nem tanto. (!)
Nos dias que se seguiram, tudo se intensificou. Meu Sogrinho por dias apresentou melhora, mas de repente, piorou. Assim como Paulo. Nos mantivemos firmes, com fé, e fomos vivendo um dia de cada vez… Paulo foi melhorando aos poucos, mas emocionalmente estava muito abalado. Tide também precisou de hemodiálise e na madrugada de 28 para 29, exatamente um mês de nos depedir da Lê, ele se foi.

Como falaríamos com o Paulo sobre isso, já que temíamos demais que ele piorasse? Como foi difícil, meu Deus! Manter essa dor em silêncio por um bem maior foi muito duro, mas necessário…

Na terça-feira, Lu e Lu ligaram para ele em chamada de vídeo para entender e ver como ele estava. Eu estava ao lado, escutando os três conversarem… De repente, no meio da conversa, ele fez um relato emocionante, que compartilho aqui para que a gente nunca se esqueça:

‘Vivi algo espiritual ontem…
meu pai esteve aqui comigo, era como se ele estivesse me dando seus pulmões e dizendo: – toma pra você respirar! E disse que depois ele sentiu uma força muito grande, decidiu tirar o cateter e desde então não precisou mais.’

Daí continuou:

‘Eu sinto que o papai morreu, mas entendo se vocês não quiserem me contar. Mas se ele desencarnou, eu sei que ele está bem, mas também entendo que vocês querem me proteger’.

Não consegui mais acompanhar. Só conseguia chorar! Ao mesmo tempo, o quão lindo foi este elo entre eles… o quão generoso meu Sogrinho foi ao libertar seu filho – que ainda tem muita vida pela frente – e ir ao encontro da minha Sogrinha? Eu prefiro crer que foi exatamente isso que aconteceu.

No dia seguinte, Emerson – médico e amigo da família – conseguiu ir até o hospital e contar a notícia. Ele disse que já sabia. Pudemos, então, sentir a nossa dor de maneira explícita, dando o direito de todos os amigos e familiares saberem do ocorrido, para que ele recebesse todas as melhores vibrações de luz e amor, para conseguir fazer sua partida de maneira honrosa do jeito que ele merece!

Que loucura é a vida, Senhor!
Apesar desta dor indescritível, prometemos ser resilientes e fortes, nos esforçar para seguir a vida da maneira como eles fariam, com a cabeça erguida, vivendo com amor, celebrando a dádiva dos dias e preenchendo os momentos, um dia de cada vez.

Que o choro venha quando precisar vir, que os abraços entre nós sejam conforto e aconchego, que saibamos todos recomeçar.
Deixo aqui fotografias destes momentos difíceis, para que a gente nunca esqueça que estes momentos nos fazem mais fortes, resilientes, unidos. E que a base de toda esta relação seja sempre o amor!

Obrigada, Sogros queridos.
Mandem notícias.
Amamos vocês!

Que os Anjos estejam conosco.
Meu beijo,
L.

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