Atibaia, 11 de junho de 2021

Ouvindo Coming Home Soon, de Adam Woodal Band

Música delícia em homenagem à série que eu estou apaixonada, que o Lu todo dia chama de Cheescake, mas que na realidade é Chesapeake Shores – rs.

Hoje reli este texto, Matrescência, da incrível Rafaela Carvalho.
Decidi deixar aqui registrado porque é realmente louca a transformação que passamos quando precisamos dar tchau para quem fomos antes de nos tornar mãe, e recomeçar um processo de autoconhecimento que não vem com absolutamente nenhuma nova referência.

Beni está perto de completar 7 anos, seu primeiro setênio.
Todo ano, quando penso nisso, volto para aquele momento de seu nascimento.
Vi ele crescer na mesma proporção que me vi crescer, amadurecer, renascer.

Por isso reler este texto hoje foi tão, tão importante.
Talvez seja pra você também.

PS: assista à série! 🙂

Meu beijo,
L.


A gente sai do hospital com um filho nos braços, o título e a alma de mãe, uma vontade imensa de acertar e o comportamento de quem ainda tem chão pela frente. Existe um processo de se tornar mãe. E ele não acontece no parto.

Antropólogos o chamam de matrescência.

Eu não sei nem descrever o quão maravilhoso foi encontrar essa palavra. A psiquiatra Alexandra Sack diz que não é por acaso que a palavra matrescência se parece tanto com adolescência. Ambos são períodos de mudanças dramáticas no corpo, nos hormônios, nos sentimentos, na maneira como nos enxergamos e processamos emoções. A diferença é que todos sabem que a adolescência é intensa e difícil. Não temos o mesmo olhar quando o assunto é se tornar mãe.

Carregamos expectativas irreais. Recebemos o recém-nascido achando que o instinto saberá de tudo e que o desejo de colocar as necessidades do bebê em primeiro lugar será constante. Só quem já ficou acordada por noites e noites entende que não é bem assim. Conhece o impasse interno.

Somos todas mães e vocês sabem do que estou falando. Na matrescência, as pessoas esperam que você aja com maturidade, que encare serena o abrir mão do controle da própria vida, do ritmo, do mundo como conhecia. Mas não é tão simples. A Dra. Alexandra descreve como um “empurra e puxa.” A ocitocina, hormônio que aumenta cada vez que você carrega, beija e cheira o seu bebê, avisa o cérebro que isso é amor. E que é dos grandes, te alertando sobre a importância daquele serzinho na sua vida.

Por outro lado, nessa mesma mente, há lembranças recentes da vida como ela era. Da identidade que você levou anos e anos para construir e da segurança que isso traz. Do cotidiano, dos relacionamentos, das coisas que, de forma abrupta, abriu mão. É uma luta real, não é hipotética. Sua com você mesma. Exige humildade, coragem, resiliência.

E tempo.

Sempre ele, o tempo .Trazer uma mãe ao mundo é tão desafiador quanto cuidar de um bebê. Agora imagine fazer os dois simultaneamente. Isso é matrescência. É entrar em uma nova realidade. Um lugar em que cabe a mulher, em que cabe a mãe e em que nasce o doce espaço onde elas se misturam.

Autora: @rafaelacarvalhoescritora

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