Atibaia, 15 de agosto de 2019.

Ouvindo “Three little birds” – versão Tracy Chapman

Como amo essa voz…

“Don’t worry ‘bout a thing
‘cause every little thing is gonna be alright”

Desde o fim do ano passado, venho observando meu comportamento emocional diante de alguns acontecimentos da vida. Passei o primeiro semestre de 2019 meio fora da casinha… como se não conseguisse mais parar e perceber a vida em si. Me sentia apenas uma cumpridora de checks, resolvedora de problemas externos sem me dar conta do caos emocional que se instalava dentro de mim.

Percebia em meus filhos a somatização da minha energia mal resolvida, sentia meu templo sagrado um caos, não conseguia me concentrar e me conectar para ao menos escrever aqui tudo que estava passando internamente. A verdade é que eu acho que andava cansada de tentar encontrar respostas.

Lu estava com uma vida insana em São Paulo, vivendo em exaustão. Eu vivia uma vida insana de tantas responsabilidades e pratinhos pra equilibrar em Atibaia, vivendo em exaustão.

Reli meus textos no blog e percebi que a grande maioria deles neste 1º semestre de 2019 falavam sobre experiências incríveis que eu tinha vivido. Coisas que fugiam da vida cotidiana: estar sozinha com o Lu no casamento de amigos, passar a 1ª noite fora de casa sem os meninos, nossa viagem de Carnaval, o show do Alok.

Eu, que sempre escrevi sobre a ideia de encontrar beleza e amor em meio ao caos, me perdi. A vida só fazia sentido se eu pudesse vivenciar diferentes experiências. Minha vida cotidiana foi perdendo a graça, meus #ceusdetododia foram sumindo do feed do Instagram, minha motivação e entusiasmo foram dando lugar a uma conformidade de ‘mais um dia – check!’.

Nos surtos de final de semana, quando por várias vezes eu e Lu discutimos sobre nossa vida maluca, horários, as reações dos meninos diante de tanto desequilíbrio, ele disse que encontraria alguém para nos ajudar. E encontrou.

Nossa Senhora de Fátima chegou e vivemos 42 dias lindos. Chegava em casa, tudo prontinho, tudo arrumado com carinho, com amor, comida fresquinha na mesa, tempo pra eu conseguir tomar um banho em paz, voltar a fazer unha, enfim.

Parece que foi um presente de Deus, um colinho aconchegante com todo aquele cuidado e afeto. Mas a vida tem dessas ondas de indo e vindo infinito e a Fá precisou seguir a vida por outros caminhos.

Lembro bem daquele 28 de junho. Por conta deste meu desalinho, estava fazendo mais home-office na época. Eu precisava do silêncio pra conseguir estar com a minha própria companhia, caso contrário, sobrava pra todo mundo. Meus nervos à flor da pele não me deixavam mentir. Eu comecei a brigar com as pessoas no trabalho e ninguém tinha nada a ver com minhas questões – o mínimo que eu podia fazer era proteger as pessoas de mim mesma e do meu mau humor.

Era hora do almoço quando a Fá me disse que não daria mais para seguir conosco. Me boicotei. Pensei na hora que “estava bom demais pra ser verdade” e de novo entendi que eu precisava trabalhar a ideia de merecimento em mim.

Foi ali, naquele instante, que senti minha cabeça explodir. Meu estômago já vinha dando sinais de dores há alguns dias, mas eu não tive tempo de olhar pra mim. Me observar. Cheguei ao hospital, 16/10 minha pressão. Lembro que saí de lá e fui procurar um lugar para almoçar… só pedindo auxílio ao Universo pra que eu entendesse o recado. Cheguei ao Afrika e quando fui pagar meu almoço, li a frase: “Serenidade e humildade são sempre os melhores temperos”

Foi ali, naquele instante, que eu decidi deixar a Soul.

Subi caminhando até o Café Dalí, tomei um capuccino olhando a Pedra Grande enquanto trocava mensagens com a Cris. Eu precisava olhar pra mim, para minhas questões. Eu precisava prestar atenção aos sinais que meus filhos estavam me dando. Eu precisava ter tempo de cuidar de mim, de voltar a falar sobre dias felizes mas também sobre dias desafiadores, eu precisava voltar a encontrar minha essência, minha paixão, minha vibração, minha pulsação.

E assim foi.

O novo semestre começou, as férias dos meninos chegaram, Lu recebeu uma proposta de trabalho remoto e disse adeus à vida paulistana. Trabalhei e me despedi dos meus clientes. Julho terminou. Este ciclo fechou.

Iniciei agosto com a premissa de que me permitiria coisas que me deixasse inteira de novo, que trouxesse de volta minha indivualidade. Comecei a organizar cada espaço da minha casa, coloquei minha energia em tudo. O cheirinho de incenso e de spray de Verbena voltou a ser protagonista. Cada cantinho voltou a ter cor.

Voltei a cuidar de mim. Voltei a ler meus livros favoritos. Hoje, voltei a escrever.
Há uma semana, voltei a pensar em trabalho. E a Prosperidade Conteúdos está surgindo, o primeiro projeto de alguns que estão borbulhando na cabeça, que fazem sentido, que fazem sentir.

Tudo novo de novo. Novo ritmo. Novo foco. Novas prioridades.
Pode ser desafiador tomar decisões. Mas tem hora que a vida chega chegando e não há outra coisa a ser feita a não ser: entregar, confiar, aceitar e agradecer.

Quantas vezes morremos e renascemos nesta vida?

Um brinde à vida, aos ciclos, às revelações, aos recomeços.

Meu beijo,
L.

Um comentário sobre “Sobre um mundo de possibilidades.

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