Atibaia, 12 de abril de 2020.

ouvindo “Só Por Hoje”, de Legião Urbana.

Já estamos em isolamento social há 27 dias aqui em casa. Antes de termos iniciado a quarentena, eu inexplicavelmente comecei a sentir uma angústia estranha. Não conseguia encontrar respostas. Achei que pudessem ser os hormônios, mas não.

Enfim chegamos ao período que estamos vivendo e então entendi o que meu corpo estava querendo me dizer. Porque se prestarmos bem atenção a nós mesmos, sempre somos avisados de alguma forma…

Lembro que estava feliz no final de semana do dia 13. Iríamos para Vinhedo e na hora de buscar os meninos na escola, beijei e abracei os pais das crianças enquanto estávamos na praça. Apesar de sempre ficarmos por lá, aquele dia estava atípico. Tinha muito mais gente. O céu estava lindo, e o assunto coronavírus já ganhava destaque.

Hoje penso que parecia que todos nós sabíamos que algo não seria mais como antes depois daqueles dias.

Curtimos o final de semana e desde o dia 16, segunda-feira, decidimos que nos isolaríamos – mesmo que nenhuma medida oficial tivesse sido decretada.

Uma, duas, três, quatro semanas já se foram.
Sabe-se lá quanto tempo mais isso vai durar.

No início, todos os dias tentei fazer atividades com as crianças. Algo mais pedagógico, mais artístico. Como a agenda do Lu seguiu até mais frenética, ficava com as crianças durante todo o dia e por volta das 17h, entrava em contraturno para conseguir dar conta do trabalho. Mas ao final da primeira semana, já não conseguia absorver mais nada.

Decidi que viveria um dia de cada vez.
Que seguiria o fluxo e que não teria tanta rotina.
Que ia sentir tudo que chegasse até mim.

E nesta quarentena, eu que lute.
Eu que lute para encontrar algo bom no viver, todos os dias.
Eu que lute para agradecer a saúde de todos nós.
Eu que lute para separar as brigas dos meninos.
Eu que lute para não enlouquecer nas birras sem fim.
Eu que lute para aceitar que quando pior eu ficar, pior eles ficarão.
Eu que lute para admitir que sou o equilíbrio de casa.
Eu que lute para não surtar e gritar e berrar.
Eu que lute para dar conta do trabalho, da casa, da comida, das crianças.
Eu que lute contra a frustração de não conseguir fazer aquele curso que antes era um absurdo e agora está baratinho.
Eu que lute contra minha autocobrança.
Eu que lute para manter a sanidade mental.
Eu que lute para não chorar ao ver a casa uma zona logo depois de terminar de arrumar o último cômodo.
Eu que lute para conseguir trabalhar no meio da zona.
Eu que lute pelos momentos de silêncio.
Eu que lute pela paz da solitude.

Que eu me lembre, dia após dia, de todos os meus privilégios; mas que em meio ao caos emocional que se instalou, que eu não me julgue menos merecedora de viver o que estiver de mais latente em mim, em meus poros, em minh’alma.

E vamos para mais uma semana.
Quase TPM de novo.
Que Deus e os Anjos me ajudem.

Meu beijo,
L.

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