Publicado em Casamento, Emoção, Vida real

Amor e liberdade.

Atibaia, 24 de setembro de 2018.

Ouvindo “Eu Preciso Dizer que te Amo” – versão de Cazuza e Bebel. ♥

Na semana passada, vivi uma semana muito especial. Passei meu aniversário ao lado dos meus meninos, celebrei 11 anos de namoro ao lado da minha pessoa favorita e também, os 5 anos de nosso segundo casamento. Haja amor!

No sábado, fomos ao casamento da Cacá e do Henrique. Eu amo casamentos! (Duvido que vocês desconfiavam – rs). No meu mundo imaginário, renovo meus votos. E é sempre fascinante!

Neste especialmente, tudo conspirou! O dia estava lindo. O céu um azul de brigadeiro que combinada com as árvores que – na Primavera – ficam ainda mais lindas e verdinhas. Era fim de tarde e o Sol pra mim estava perfeito: aquele calorzinho na pele que parece abraçar, tamanho acolhimento! Ouvimos o pastor falar sobre o amor lindamente, sobre a presença de Deus quando escolhemos dividir a vida ao lado de alguém especial, quando escolhemos aprender com o outro, sobre o quanto nos modificamos na caminhada e o quanto isso pode ser motivo de ainda mais admiração mútua. As maritacas pareciam validar tudo o que estava acontecendo ali. As árvores balançavam suas folhas de uma maneira tão suave que quase hipnotizava. Depois do pôr do sol, a lua apontava lá no céu com um brilho incrível.

A cerimônia terminou com a música September – e me deu vontade de sair dançando ali mesmo. Agradeci mentalmente pela chance de ter encontrado alguém especial e por viver a presença de Deusinho diariamente em minha vida.

Enquanto nos preparávamos para as fotos das madrinhas e padrinhos, uma senhora pediu para falar comigo. Fiz um sinal de positivo com a cabeça e saímos do foco para conversar. Ela perguntou se eu era evangélica e qual igreja eu frequentava; disse que respeitava a crença, mas que era espiritualista. Então, ela me disse: “desculpe te abordar assim, mas vi uma luz tão forte em você durante a cerimônia, e isso nunca tinha acontecido assim em um casamento, apenas quando estou ministrando algum curso nos encontros da igreja. Foi especial o que eu vi”. 

Fiquei tão lisonjeada que só consegui dizer: “Que coisa mais linda, muito obrigada por dividir isso”.

Talvez ela tenha sentido o quanto eu estava mesmo ali presente de corpo e alma, como se fazendo parte de todo aquele espetáculo da natureza, de Deus, do amor impregnado naquele lugar.

Hoje, enquanto estava trabalhando, relembrei do que vivi e sorri. Tinha um passarinho na árvore à minha frente e enquanto no fone de ouvido tocava “…amar alguém só pode fazer bem…” – de Marisa Monte. Agradeci por aquele momento, pelo meu trabalho, pela vida.

Que sejamos mais gratos pelo que vivemos, com todo ônus e bônus que isso implica.

“Liberdade na vida é ter um amor para se prender…” 

Meu beijo,
L.

Publicado em Casamento, Coragem, Desafios, Desafios do casal, Desafios do casamento, Emoção, Escolhas da vida, Família, Gratidão, Transformação

Qual a parte que me faltava?

Atibaia, 19 de março de 2018.

Ouvindo “Nó” – O Terno [Ouça você também! Adoro esta música!]

 

Este blog vai ficar extenso… é que era pra ele ter saído na semana passada, mas na hora de colocar os meninos pra dormir às 20h30, fui junto e só acordei no dia seguinte.

Três semanas atrás, fomos em família ao mercado no sábado, por volta de 19h. Normalmente fazemos isso aos domingos, mas não naquele final de semana.

Chegando lá nos deparamos com várias turmas e casais escolhendo as bebidas e carnes para o churrasco na casa dos amigos, e eu francamente só conseguia pensar: “que tempo bom!”

Lembrei do início do namoro, de como tudo é maravilhoso quando estamos apaixonados, como temos disposição, olhos brilhando. Por mais que a calmaria do amor seja um sentimento bom, às vezes sinto falta da espontaneidade e da cegueira positiva que sofremos nesta fase da relação.

Tive vontade de dizer àquelas pessoas que aproveitassem aquela fase da vida; eu só pensava em tomar um pileque e ficar com a cabeça leve, mas voltei pra órbita quando ouvi “mamãe, mamãe”.

Percebi que depois deste dia, os próximos foram esquisitos. Existem fases da vida que se tornam chatas; são muitos compromissos, responsabilidade, filhos exigindo mais que o normal, trabalho com demandas infinitas, passagens chatas do casamento.

Lembro que não parava de ouvir a música “Índios” do Legião que dizia “no meu vício de insistir nessa saudade que eu sinto de tudo que eu ainda não vi… tentei chorar e não consegui…” 

E também teve… “e nesses dias tão estranhos fica a poeira se escondendo pelos cantos…”

E por ouvir Legião, eu me lembrei do escoteiro. Lembrei da minha adolescência. Das amizades. Tentei acessar pessoas daquela época pra ver se meu coração se acalmava, se eu me reencontrava, me resgatava. Foi estranho. Sofri quando percebi que tudo que vivi ficou no passado e que hoje nada mais é e nem será igual.

As pessoas de antes não são mais as pessoas de hoje. Tem vezes que me sinto um pouco ingênua demais em tentar manter certos sentimentos que um dia me fizeram bem; esqueço que algumas coisas na vida para darem certo precisam efetivamente de algo chamado re.ci.pro.ci.da.de.

É difícil isso acontecer comigo, mas diante de tanto ‘sentir’, entendi que era hora de me recolher.

Percebi que eu estava fugindo. Que eu queria acessar alguma outra versão de mim mesma que não esposa e nem mãe. Esses dois papeis me exigem muita responsabilidade… eu não queria mais ser tão responsável.

Já aconteceu com vocês?

Às vezes eu entro em colapso, especialmente quando meu casamento passa por situações estranhas. Não é culpa de ninguém, mas quando percebemos, somos soterrados pelo cotidiano, pelo dia a dia maçante, pela falta de cuidado, pela exaustão.

E aí eu sempre tento relembrar quantas já fui, quantas sou, quantas ainda serei.

Eu estava era com saudade de mim mesma. De não sentir cobranças. De viver com liberdade e tempo para fazer o que eu quisesse. Ler a hora que eu quisesse. Escrever a hora que eu quisesse. Assistir a programas de decoração e moda. Ver filmes adoráveis, sem interrupções, com calma. Ficar na rede. Caminhar tranquila. Sair, simplesmente.

Quando a vida entra nesta energia densa, eu normalmente me recupero fácil. Desta vez foi mais difícil. A gente tem que encarar nossos monstros internos, repensar o que tem nos deixado tão infelizes, sermos o mais transparente possível conosco – e com quem vive com a gente -, aceitar e acolher nossas fragilidades, lembrar que somos humanos e esperar que os dias passem para nos trazer de volta.

Era um sentimento ambíguo.
Sentia falta da Lillian do passado – livre – sem reconhecer a Lillian do presente – que enxerga beleza em tudo.

Depois de falar muito comigo mesma, as coisas começaram a se ajustar. Primeiro, em mim – depois, no outro.

Quem diria que uma simples ida ao mercado seria o estopim de mais um destes tantos momentos mais desafiadores da vida?

Quando a vida dá um nó
Não adianta sentir dó
De si mesmo

Há uma chance de um novo começo
Um tempo bom pra fazer diferente
A gente pensa que sabe da gente
Mas nunca é tarde pra abrir nossa mente

O sol voltou pra esquentar sua vida
Há um olá depois da despedida
Depois de tudo que você chorou
Lavou a alma e encontrou o amor

Passou, passou.

metamorfose

Meu beijo,
L.

Publicado em Casamento, Escolhas da vida, Família, Filhos

Sobre filhos, casamento e gratidão.

Atibaia, 30 de junho de 2017.

Ouvindo Sweet Creature – Harry Styles.

Descobri este som esses dias por acaso no Spotify e já comecei a imaginar com quais cenários da minha vidinha ela se encaixaria. Fico aqui editando aquele tal trailer imaginário que ficou mais latente depois de assistir pela primeira vez – e pelas todas as milésimas vezes seguintes – “O amor não tira férias” (meu filme favorito da vida, by the way!)

Há tempos estou para escrever no blog. Já faz mais de um mês que não passo por aqui. Prometi que este ano melhoria a assiduidade das minhas publicações, mas não imaginei que a vida mãe x profissional x esposa x estudante tomaria praticamente todo meu tempo! No drama e culpa nenhuma também, viu! Estava no escopo para os desejos deste ano dançar conforme a música.

Reclamo não. Nunca estive tão feliz!

Algumas fases da vida a gente tem vontade de colocar num potinho, não é? Que mal há em aproveitar os bons ventos?

Ainda quero escrever com a calma que o post merece sobre nossa estadia no Organyca, que foi sensacional! E também sobre o projeto Medite na Rua, que gostei tanto de participar cerca de 3 semanas atrás. E também sobre como eu tenho conseguido conciliar tantas demandas de trabalho novo, com as aulas da pós, a atenção para os meus amores, minha monografia e agora uma nova mudança de casa que temos visualizado pela frente. Nossa! Era tanta coisa assim mesmo? Cansei!  Zzzzzzzzz

Mentira!! Eu agradeço e agradeço e agradeço. O Universo tem sido tão fofo e ouvido tão lindamente que não tenho outra coisa a fazer senão agradecer.

Por falar em agradecimento, li um texto hoje da Rafaela Carvalho que me fez dar ainda mais valor para esta revolução que todos os casais passam  depois da chegada do primeiro, do segundo, do terceiro filho. Para cada nova estrutura familiar, uma nova adaptação.

Que alegria tão grande poder compartilhar cada momento de alegria e desafio com meu marido amado, meu parceiro de vida.

Deixo este texto incrível para todas as mães, pais, famílias que passam por esta transformação dia a dia e que enxergam nesta exaustiva função a beleza e poesia de que no fundo, no fundo, há algo muito maior por trás de toda esta energia de amor na qual estamos envolvidos. Vida longa aos que acreditam na constituição familiar, seja no modelo que for. Só o amor constrói. 🙂

Tantos são os motivos que a chegada de um filho pode te tornar uma péssima namorada. Filho transforma não só o corpo e o coração. Vira a vida, a casa de ponta cabeça. Muda as prioridades, redireciona os planos. É bem provável que eu não me pareça muito com a mulher por quem você se apaixonou, e vice-versa. Mas a gente se reapaixona.
Caio de amores pelo homem amadurecido, que coloca a família em primeiro lugar, que segura nossos filhos pelas mãos.
Brigamos, perdemos a paciência (já gasta com o constante lidar com as crianças), dormimos “mal” – quando dormimos.

E no dia seguinte, entre um café sendo passado, uma troca de fralda, um esbarrar para escovar os dentes, um grito pedindo para desligar o fogão antes que o pão queime. Não sobra tempo para lembrar o motivo da raivinha da tarde anterior.

Há também noites onde as crianças vão pra cama cedo. Nos empolgamos com tamanha liberdade, e vamos dormir depois da meia noite. E acordamos zumbis.

Nossas conversas foram substituídas por frases soletradas, para que as crianças não entendam. Marcamos de N-A-M-O-R-A-R, avisamos que tem C-H-O-C-O-L-A-T-E no armário. Eu vejo marcas de expressão surgirem no seu rosto. Você enxerga o mesmo em mim.

Te pergunto se você vê a ruguinha do meu lado esquerdo, você nega. Afinal, tem amor pela vida. Mas sabemos que ela está lá. Desgastes na pele de quem ri demais, chora demais, se estressa demais, vive demais, gosta de praia demais.
Enfrentamos problemas, damos as mãos, discordamos, fazemos funcionar.
Beijos, carinho, um sorriso de longe a caminho do parquinho.
Tudo mudou. No papo de fim de tarde recordamos momentos e ficamos nostálgicos. Saudade de dias que não voltam.
Passou, e sempre acho que deveríamos ter aproveitado mais.
Eu sei, coisa boba da minha cabeça. Em alguns anos direi o mesmo desta fase de agora.
Mas você sabe bem o porquê disso tudo.
É porque é bom.
Viver com você é B-O-M. Demais.
Os problemas, pedras, tudo fica pequeno.
Porque quando acordo de manhã, não importa as circunstâncias, sei que o que mais importa dorme bem ali, no final do corredor.
Então hoje agradeço aos céus por você existir.
E por existir aqui, pertinho de nós.
Autora: @a.maternidade (Instagram) – Rafaela Carvalho

Tudo tão verdade, né?

Fiquei emocionada quando li. Tão correto e tão bonito. ]

“Façamos… vamos amar!” – e só pra lembrar, demonstrar amor não dói. 

Meu beijo,

L.

Publicado em Alegria, Casamento, Experiência, Família, Férias, Filhos, Maternidade real, Mãe de dois, Pais e filhos

Sobre as férias – Texto de 11.08.2016

Atibaia, 10 de agosto de 2016.

Ouvindo Norah Jones.

Já faz um tempo queria ter passado por aqui para deixar registrado como foram os 30 deliciosos dias de férias em que o Lu ficou aqui comigo. Para muitos, pode parecer que nada fizemos de interessante neste período. Para nós, coisas incríveis aconteceram: finalmente tivemos tempo de organizar armários, ajeitar bagunças, tirar a poeira dos livros, remexer esta energia estagnada por um ano. A casa ficou mais leve. Comprei novas almofadas e mantas coloridas. Troquei o cheirinho ambiente. Fiz arte. Montei um painel de fotos e um quadrinho com quatro mini corujas representando nossa família. O Lu levou o Beni para a escola de bicicleta, coisa que ele sonhava fazer. E o buscou na escola podendo ver a alegria dele ao ver o pai. Nos conectamos mais com a espiritualidade. Mandamos o carro para arrumar. Organizamos juntos e com amor a festinha de 2 anos do Pequeno. Estivemos – a família toda – presentes no parabéns da escola e aqui de casa. Marcamos finalmente o batizado do Mimi. Pensamos em diversas possibilidades para o futuro. Sonhamos juntos e cansamos muito olhando as crianças. Decidimos usar melhor o poder da gratidão. O Lu voltou para a terapia, e apesar disso mexer com a gente, tenho consciência absoluta de que alguns nós internos precisam – e devem – ser desatados. Eu me embolei toda com a pós porque não queria perder um segundo de tudo de rotineiro que poderíamos fazer juntos tendo tempo. Ainda conseguimos viajar por uma semana, para cansarmos em outro lugar (rs).

🙂

A viagem para São Bento do Sapucaí havia sido um estágio incrível do que nos esperava para nossa semana em Brotas. Aí que me enganei. Em nossa primeira viagem em família, nossas expectativas eram grandes, por isso houve frustração. Apesar de ser EXTREMAMENTE difícil viver uma vida sem expectativas, quando conseguimos somos mais gratos por tudo, porque se não esperamos nada, tudo que chega é bom. Para ter paz de espírito, resolvemos abdicar de refeições juntos (eu e o Lu) e seguimos criteriosamente a mesma rotina que aplicamos em casa com os meninos. Assim tivemos uma semana incrível em família com muito menos perrengues, birras e choradeira.

De novo, se o casal não estiver muito bem estruturado para passar por estes, digamos, “afastamentos”, de modo a encarar como uma fase e enxergando a parceria no criar e cuidar como um afrodisíaco nato, fica muito difícil a coisa não azedar. Para falar o português correto, é FODA! Mas é como encarar a vida como um grande desafio e criar jogos mentais para ir se auto-motivando. Ao mesmo tempo, dentro desta bipolaridade louca entre amar os filhos e a família e querer a liberdade e a ‘antiga’ vida de volta, as pequenas coisas funcionam REALMENTE como combustível. Pra mim, a gargalhada das crianças tira todo meu mau humor. Ou a imagem do Beni fazendo carinho no Mimi. Ou quando só o Beni consegue acalmar o irmão com uma brincadeira que só as crianças devem entender. E como é precioso nos forçarmos a enxergar a vida com os olhos deles, para ver belezas puras e singelas.

É tudo tão enlouquecedor. Tudo passa tão rápido mas demora tanto para passar. Pedimos tanto que eles cresçam mas ao mesmo tempo choramos porque não são mais bebês. É uma mistura tão bizarra que só quem passa por isso vai entender.

E embora seja FODA, o casamento e os filhos continuam sendo altamente recomendados por mim. Crescimento e amadurecimento mútuos; nada é parecido com isso. Nenhuma experiência. Nenhum emprego. Nenhuma viagem. Nada traz a vivência deste conviver. Nada!

Meu beijo, com amor, e já pensando nas próximas férias!

L.

IMG-20160708-WA0050
IMG-20160708-WA0048
IMG-20160708-WA0038
20160708_070817-1
20160708_083859
IMG_20160711_212001
IMG-20160712-WA0071
IMG-20160712-WA0040
IMG_20160711_125608
IMG-20160713-WA0025
IMG-20160714-WA0026
IMG-20160714-WA0022
Publicado em Casamento, Desafios do casamento, Emoção, Escolhas da vida, Experiência, Família, Férias, Filhos, Maternidade real, Mãe de dois, Mães, Pais e filhos, Simplicidade

A primeira viagem de nós quatro – Texto de 21.06.2016

Atibaia, 21 de junho de 2016.

Ouvindo “Dia Especial”- Tiago Iorc.

Desde o começo do ano esperava pelo final de semana passado. Pensei com muito amor e carinho sobre como seria a comemoração do primeiro aniversário de casamento sendo pai e mãe de dois filhos, além dos quase 2 anos do Beni e também do primeiro trimestre completo do Miguel.

Eram muitos os motivos para celebrar a vida e a dádiva de ter uma família! Vibrei com uma intensidade infinita que todos nós estivéssemos com saúde e disposição para curtir o quanto possível este respiro da vida cotidiana, sempre tão insana.

São Bento do Sapucaí foi a cidade escolhida e a Pousada do Quilombo para a estadia.

Benício chegou querendo fazer amizade e jogando beijos para os tios e tias no restaurante da pousada; enquanto esperávamos pela pizza do jantar, a missão dele era convencer alguém a levá-lo até a sala da lareira ou ver o olhar de aprovação sobre a vontade incessante que ele tinha em sair correndo e subir e descer incansavelmente as escadas de lá. Quando viu que nem com toda simpatia conseguiria, iniciou a famosa birra. Tratamos de comer a pizza rapidinho porque tem horas que doutrinar é muito cansativo e nós não queríamos iniciar a viagem com ele chorando. Depois de comer pedaços da pizza de abobrinha, eis que surge “a visão”. Quando Benício vê uma criança, ele se transforma. Quer interagir de qualquer maneira! – e é muito gostoso de se ver, diga-se de passagem. A menininha, chamada Maria Vitória, ou Mavi, era uma fofura!! Ele quis chamar a atenção dela – como se chamando-a para brincar – e saiu correndo pelo corredor como um foguete; calculou mal o espaço, meteu a cara na cadeira, caiu, chorou por meio minuto, beijou a própria mão e passou na testa para se “auto sarar”, chamou a cadeira de boba, mostrou a língua e sorriu de novo para Mavi, que a esta altura já estava tranquila na mesa com os pais assistindo a “Pepa” em seu tablet. Mesmo chegando perto dela e olhando a telinha, o negócio dele era mesmo conseguir subir as escadas sozinho. Êita sapequice cansativa! É porque eu, como mãe, sempre imagino os perigos, enquanto ele só enxerga desafios a serem vencidos. Pois bem. Na hora de ir para o quarto, ele finalmente conseguiu o que queria! As palmas e o sorriso dele ao chegar do outro lado da escada foi impagável – e passou rápido a empolgação, porque ele logo já enxergou outras coisas para brincar e se desafiar.

Estava uma noite fria, então resolvemos acender a lareira. Para ajudar o pai, Benício ficou de longe soprando para fazer fogo – sem que ninguém o tivesse ensinado – e depois apontava para a lareira e para nós e dizia “enti” e “dodói”, querendo dizer que ali era muito quente e poderia fazer dodói. É quase poético quando a criança reproduz aquilo que acabamos de ensinar, mas só consigo pensar nesta beleza agora, porque logo depois desta quase frase, ele já começou a ficar inquieto por ter que ficar preso no quarto e tratou de arrumar outras coisas para fazer: pegou o telefone e discou para a “titia”, falando “alô, alô”, mas não de modo quieto. Era mais legal falar “alô” tentando subir no criado mudo para alcançar o objetivo de se jogar na cama. “Benício, vai machucar, filho. Fica quietinho um pouquinho” – repeti no mínimo umas trezentas vezes – sem sucesso. Depois de muito pular na cama, reconhecer o território, finalmente adormeceu. Miguel conseguiu dormir em seguida, já que com o irmão tão animado ficou difícil fechar os olhos antes – rs.

No dia seguinte, acordamos e troca um, troca outro – estamos saindo – um faz cocô, troca de novo e uma hora e meia depois, conseguimos! – “Vamos correr, está terminando a hora do café!”

O dia estava maravilhoso, um céu de brigadeiro e o restaurante tinha uma vista espetacular para as montanhas – e também para o parquinho que levava a uma ponte bamba e bem alta. Sentamos. Peguei goiaba, manga, pão e bolo para o Beni e não durou 10 minutos para a birra começar, porque o desafio da vez era sair correndo para ir não ao parquinho, mas atravessar a ponte e de preferência sozinho. – “Benício, Benício, vamos comer, filho. Precisa comer pra ficar forte e saudável igual ao dinossauro que você adora!”

– “Ã, ã, ã, ali, ali, ali, mamãe, mamãe, ali, mamãe, ali, ã, ã, ã, buáááááááááááááááááááá”

Nessas horas eu me lembro da professora Leila me dizendo que o desafio não é meditar quando existe silêncio e o momento colabora, mas sim quando presenciamos especialmente um momento de caos.

Respiro fundo, conto até trezentos e para não ver mais olhares de reprovação, vou até o parque com ele. – “No parque, porque tenho medo de altura e na ponte você só vai com o papai.”

Vinte minutos depois, o Lu chegou e fui finalmente tomar meu café. Ufa! Silêncio e uma vista linda de presente! Pensei em como a natureza é linda!

Estando todos alimentados e depois de Beni ter ido na ponte e querer descer correndo a área de paralelepípedos só pra ficar mais emocionante, encontramos um lugar plano para brincar, correr, jogar bola, tomar sol, nos divertir. Mas ali perto tinha um barranco. Meu filho aventureiro queria era ficar ali, na beiradinha, só pra ver o que poderia acontecer. Deusinho nunca foi tão solicitado para me dar paciência quanto neste dia!

A brincadeira durou cerca de duas horas e começou a choradeira. Miguel com fome e Beni com sono. Fomos correndo para o quarto e algum tempo depois, os dois dormiram simultaneamente.

Olhei para o Lu e depois do “ufa!”, eu disse: “Finalmente! Vamos tomar nosso vinho?”

Quando solteiros, tudo era diferente: o local escolhido era sempre o que não aceitava crianças, afinal, são realmente desagradáveis os ataques de birra e sempre queríamos privacidade total. O dia era todo tomado para passeios na cidade, ofurôs e massagens e a noite, para a lareira, o foundue e um vinho pra terminar a noite meio breacos, com aquela sensação gostosa que o álcool na medida traz. Uma completa despreocupação e “cabeça leve”.

Maaaas… estávamos comemorando nosso aniversário de casamento e agora temos dois filhos, ou seja, muita coisa mudou – senão tudo! Então, a regra é dançar conforme a música. Nós, enfim, tivemos nossa hora e meia de sossego, risada, uma garrafa de vinho vazia e a dúvida: sobre o que falávamos quando não tínhamos filhos?

Decidimos tentar ser mais criativos no assunto na próxima vez.

Os meninos acordaram, almoçamos em paz, passeamos mais um pouco e o fim de tarde chegava. Com previsão de muito frio, ficamos quietinhos (quando digo quietinhos entende-se juntos em um só ambiente, porque meu filho curioso de quase 2 anos ainda não sabe o que essa palavra significa) e 20h30 os dois finalmente dormiram. Pedimos nosso jantar no quarto, o Lu foi fazer massagem e eu fiz o que eu mais amo fazer quando sobra tempo: DORMIR. A alegria de deitar às 21h00 é realmente impagável, porque sei que, ainda que eu tenha o sono interrompido, o saldo final será positivo e eu acordarei bem humorada e descansada.

Dia seguinte, antes da birra começar, nos dividimos para ficar com os meninos e tomar um café gostoso e contemplador. Beni quis andar de bicicleta com o pai enquanto eu fiquei passeando com Miguel. E assim, seguimos a rotina do dia. Horas depois, respeitando a hora do soninho vespertino dos dois, eu e o Lu conseguimos almoçar na varanda do quarto, curtindo o silêncio tão sagrado que traz tanta paz. Conversamos sobre aquela vista linda das montanhas, sobre o verde, sobre o quanto as pessoas daquela cidade deveriam viver por 200 anos, sobre a contemplação, sobre nossos sonhos e futuro. Lembramos como chegamos até ali, relembramos episódios engraçados e dramáticos da nossa relação e depois de longos abraços que muitas vezes são tão acolhedores e curadores, os meninos acordaram e era hora de ir embora.

Lembra que deixamos os meninos dormirem o soninho da tarde? Pois então! Descobrimos na raça o quanto isso pode nos custar na hora de retornar pra casa. Filhos descansados e querendo sair do carro para brincar, waze mandando para uma estrada ‘uó’ e choro incessante. Na próxima, lembraremos de ir embora na hora do soninho e a conversa despretensiosa acontecerá no carro mesmo, de mãos dadas – rs.

Resumo da ópera: se você aceita que uma viagem com seus filhos vai te trazer momentos incríveis e outros estressantes, você cria a realidade correta em sua mente. Se os dois dormirem ao mesmo tempo, encare como um baita bônus. Uma coisa que eu e o Lu já estamos craques é olhar para estes momentos como verdadeiros presentes.

Não dá pra dizer que viajar com eles é relaxante e um convite ao descanso, mas dá pra imaginar o quanto estes momentos em família são importantes para a construção dos vínculos duradouros, para o treinamento de sentimentos como a paciência e também, para testemunhar a alegria ingênua de uma criança ao ver um tronco de árvore no chão e já imaginar um cavalinho.

Eles nos ensinam tantas coisas!

Cansaço e amor. As duas grandes palavras que resumem esta experiência.

13435556_10209699161819607_4136749787227779789_n

Em breve, teremos a nossa próxima viagem, se Deus quiser!

L.

Publicado em Casamento, Escolhas da vida, Família, Filhos, Gratidão

Fotógrafos de uma vida – Texto de 30.03.2016

Atibaia, 30 de março de 2016.

Ouvindo “Passarinhos” – Emicida + Vanessa da Mata

Eu queria começar a seção de fornecedores dando uma dica aos solteiros, namorados, casados, recém-casados, grávidos, pais de primeira, segunda, terceira viagem: INVISTAM EM UM FOTÓGRAFO! Cada um tem seu próprio estilo e quando encontramos um que nos sentimos a vontade e acertam nosso jeito de ser, até mesmo os menos adeptos ficam apaixonados com o resultado e com todo momento de descontração envolvidos durante os flashes.

A fotógrafa da minha família é minha grande amiga Mimas (você pode conhecer mais do trabalho dela clicando aqui)

Nossa amizade não é daquelas comuns com encontros múltiplos e contato imediato direto; tudo é quase místico: trocamos pensamentos, nos fazemos rir alguns dias com – hoje – troca de mensagens através do whatsapp e mimos inesperados.

Ela se tornou fotógrafa da minha família sem querer. Eu morava em São Paulo e ela também. Trabalhávamos no mesmo condomínio e nem assim conseguíamos nos ver, mas até que os e-mails eram constantes. Eu adorava quando ela me escrevia com normalidade sobre o quanto se enjoava rápido de pessoas e situações – rs (que bom que eu ainda permaneço em sua vida). Já os meus depoimentos eram sempre dramáticos e românticos. O amor sempre precisou ser latente em minha vida, desde que me conheço por gente. É quase levar ao pé da letra a canção de Roberto: “se chorei ou se sorri, o importante é que emoções eu vivi!”.

Um dia, numa dessas trocas de e-mail, contei que ia me casar. Eu e o Lu vivíamos com a grana contada, já morávamos juntos e pagar apartamento e mobiliar a casa não nos deixou com sobra. Não importava. Tínhamos exatos mil reais para pagar papelada do cartório e comemorar no estilo mais simples e acolhedor: um bom churrasco para os amigos, com carne e chopp contados mas muito amor no coração.

E então, ela me disse: “amiga, posso te dar as fotos de presente?”

Foi algo tão inesperado e feliz! E dia 20 de junho de 2009, ela estava lá com mais lágrimas nos olhos que no foco da máquina e sem chegar muito perto do juiz de paz que ela dizia parecer o Mestre dos Magos (nunca me esqueci disso!)

Depois do nosso primeiro casamento, já fizemos mais alguns ensaios inesquecíveis dentro dos pacotes de serviços que ela oferece: o ‘home sweet home’, o ‘VIP’ – que até então não era um projeto autoral e o mais especial, o ‘Fotocute’. Ela sempre me faz sentir linda, mesmo quando não estou lá essas coisas e a habilidade que ela tem em deixar sempre a vontade faz com que eu me torne uma adicta compulsória de seus ensaios.

Fotografias amadoras tem seu valor e não nos deixam perder nenhum momento, mas existem certas ocasiões na vida que merecem um registro que vá além do que os olhos físicos podem enxergar: eles captam a intensidade do sentimento vivido no momento. São verdadeiras preciosidades!

E é por isso que eu recomendo fortemente que você escolha um fotógrafo para o registro especial dos melhores e mais marcantes momentos de sua vida!

Deixo aqui um pouco dos tantos dias felizes que tive a honra de viver nestes meus 30 anos de caminhada.

Mimas querida, OBRIGADA por existir em nossas vidas.

Publicado em Alegria, Amor multiplicado, Ano novo - reflexões, bebê, Casamento, Coragem, Desafios, Emoção, Escolhas da vida, Experiência, Família, Filhos, Gratidão, Mãe de dois, Mães, Pais e filhos, Reflexões de ano novo, Segundo filho

Tchau, 2016. Oi, 2017!

Atibaia, 22 de dezembro de 2016.

Dezembro. Último mês deste ano que nem vimos passar.

Foi um ano dificilmente especial…

Janeiro começou com encontros de amigos; quis reunir o quanto pude todos eles em casa porque sabia que o primeiro ano na fusão mãe-bebê é especialmente isolador. Era o último mês de Miguel em minha barriga e meu Deus, como esta gestação passou rápido!

Fevereiro veio e com ele um carnaval animado, em família, acolhedor e divertido, destas coisas simples que são capazes de marcar nossas vidas. Neste mês, lembro muito particularmente de três episódios: o primeiro, no terceiro domingo, onde eu, Lu e Beni fomos passear pela praça da Matriz. Eu ali, emocionada, me despedindo da barrigona e vibrando luz e amor para um parto tranquilo. Que sensação! Que mistura de sentimentos!

O segundo aconteceu no nascimento de Miguel, na bênção dele ter chegado com saúde, no respeito pelas minhas escolhas, no receber pessoas no hospital como sempre sonhei e no não desgrudar do meu menino. Deus preparou para mim este grande presente, para tirar tudo que havia ficado de memória ruim no pós parto do Beni. Minha gratidão foi infinita!

E o terceiro, como não podia deixar de ser, deu-se no primeiro encontro entre os irmãos. Nunca vou esquecer daquele momento, do amor sendo construído pelo Mimi e da angústia que eu sentia em saber que Beni ia precisar de tempo e espaço para se acostumar, se adaptar a nossa nova realidade familiar. No meio de tanto sentimento, agradeci a Deus por ter tido a oportunidade de amamentar. E por ter tido um puerpério mais tranquilo.

Em março, ganhamos de presente da Mimas nossa primeira sessão de fotos em família. Foi muito especial registrar depois de 19 dias do nascimento do meu Pequenino o caos e o amor compartilhado, o sorriso tímido do Beni, o olhar de quem ainda não estava entendendo o que acontecia. Foi um mês de grande turbulência emocional. Os dois ficaram muito doentes, assim como eu e o Lu. Mas, dia após dia, tudo passou.

Em abril, mais desafios. Beni teve sua primeira estomatite. Começou a ter terror noturno. Mimi com bronquiolite. Os dois precisando de tantos cuidados e eu mesma precisando precisando tanto de uma pausa. Chorei. Como eu chorei! Mas também ficou pra trás. Sorte ter sido mês da Páscoa – o santo chocolate ajudou muito. O que valeu muito neste mês foi a visita da nossa amiga amada Dezinha, que veio conhecer o Mimi, contar sobre sua nova vida e onde passamos um dia muito gostoso, só com um bom papo, um bom vinho e boas risadas.

Maio veio para florescer o primeiro trimestre desafiador e nos presenteou com momentos mágicos, encontros com amigos, dia das mães especial, nossa primeira ida ao parque juntos em família, nossa primeira ida a Aparecida do Norte para agradecer a nossa Mãezinha por tantos desafios enfrentados e superados. Foi um mês e tanto. Também recebi auxílio divino para me mostrar um meio de conseguir me sentir eu mesma, e a propaganda de um curso sobre Gestão Escolar pela Esapq/USP apareceu bem na minha frente. Iniciei meus estudos no MBA e passei a me sentir muito feliz por voltar a estudar e fazer algo por mim.

Junho foi muito esperado. Alguns episódios muito significativos marcaram este mês.
Viajamos pela primeira vez para celebrar nosso primeiro aniversário de casamento com a família completa. Foi um final de semana inesquecível, onde eu e o Lu pudemos enfrentar dores e delícias de viajarmos sozinhos com nossos filhos com demandas totalmente diferentes. Foi amorosamente enlouquecedor! Outra vivência marcante, aconteceu na festa da lanterna da escola do Beni; eu e o Lu vivíamos a exaustão que ter dois filhos em casa traz, e nesta festa nos emocionamos muito quando nos foi pedido que colocássemos todos os desafios enfrentados em um papel para que o fogo levasse e restabelecesse a harmonia e o amor; chorei muito, me emocionei muito. Parece ter sido uma resposta à renovação de esperanças que eu pedia a Deus. Ficou marcado no coração! Além disso tudo, conseguimos almoçar juntos no Dia dos Namorados. Simplicidades da vida, tão valiosas. E pra fechar um mês abençoado, teve também um show gratuito em SP só com meu Amado do Paralamas, Kid Abelha e Nando Reis, onde fui presenteada com a presença de Dado Vila Lobos tocando Legião, o que me fez EXPLODIR de amor.

Em julho fomos abençoados com dias de sol absoluto em nossa semana de férias em Brotas. Foi uma viagem muitíssimo especial onde nos conectamos com nossos Pequeninos, estávamos presentes 100% e nos divertimos muito. Cansaço a parte, foi tudo muito gostoso! Com o Lu de férias, pudemos comemorar juntos o aniversário do Beni na escolinha e preparar uma festinha simples mas muito amorosa aqui em casa. Ele ficou muito feliz e nós mais ainda por esta oportunidade de celebração da vida de nosso menino.

Em agosto, comemoramos a vida de muita gente querida. O dia dos pais foi especial. Encontramos amigos, meditamos luz pelo nosso lar, restabelecemos nosso equilíbrio, Lu entrou em seu 36° ano de vida e agradecemos a oportunidade de vivermos juntos, de compartilharmos histórias de vida e de tanto ensinamento mútuo.

Setembro, mês sempre especial: fomos ver os dragões com o Beni, que ficou encantado! Eu e o Lu tivemos nosso momento indo assistir ao musical Cartola, pré comemorando nosso 9° aniversário de namoro. Comemorei meu aniversário na praia, como sonhei. Foi muito especial a entrada dos meus 31 anos… tanto a agradecer! No dia de Cosme e Damião, tive uma visão linda: éramos eu, Lu, Beni e Mimi – todos crianças – brincando juntos e plantando árvores no quintal de casa. Foi muito emocionante este momento, porque senti uma conexão com o divino latente. Um momento mágico.

Sendo assim, em outubro, resolvi comprar as árvores para plantar. Beni não estava muito bem, de novo com amidalite, mas desta vez apesar da febre, não perdeu apetite e ficou disposto. Foi uma grande aventura pra ele plantar e regar seu pé de goiaba – sua fruta favorita – junto com o avô. Trouxemos VIDA a nossa casa através dos pés de goiaba, limão, mexerica, romã e da minha planta favorita: dama da noite. Mais uma vez, fomos a Aparecida do Norte agradecer. Pedir proteção. Renovar nossas forças de fé, nos permanecer nutridos de amor e união e nos reconectar com nossos mentores para estarmos sempre atentos ao melhor caminho a seguir, pedir que nossa intuição nos leve às escolhas determinantes com paz no coração. Também tivemos nosso segundo ensaio em família com a Mimas. Lindo. Divertido. Emocionante.

Em novembro, Mimi já estava maior e começou a engatinhar. Esta é uma fase linda de início de liberdade, mas por outro lado, não conseguia mais fazer nada sozinha. Era hora de tomar a grande decisão de colocá-lo ou não no berçário. Optamos pelo sim. Dia 29 de novembro, meu Passarinho começou seu voo junto com o Beni. E eu pude pela primeira vez estar realmente só – e como isso me fazia falta! Com esta grande oportunidade de fazer o que quisesse com meu tempo, fiz um curso chamado “Fazer a Ponte”, sobre um sistema de educação que gosto tanto próximo a Porto, em Portugal. Esperança pela educação!

 

Enfim, chegamos a dezembro. Um mês inesquecível. Dia 16, 3 meses após completar 31 anos, tive um sonho lindo, adicionado a sinais latentes sobre novas possibilidades. Isso fez vibrar e acelerar meu coração. Certas adrenalinas só fazem bem e pensar na possibilidade real da realização de um grande sonho, um grande projeto, traz grande renovação para a vida.

♥.♥.♥.♥.♥.♥.♥.♥.♥.♥.♥.♥.♥

Faço sempre questão de olhar carinhosamente mês a mês para relembrar o quanto Deus age em meu dia a dia, o quanto termos fé e buscar equilíbrio é sempre fator crucial para vivermos bem. Se olharmos sempre para o plano geral, muitas vezes só enxergaremos cansaço em nosso dia a dia, mas existem tantos momentos mágicos escondidos em cada virada das 24 horas que só podemos agradecer por tamanhos presentes diários.

Além de tudo que nos aconteceu, tivemos saúde, disposição para enfrentar os desafios e arregaçar as mangas para pensar em possibilidades para o que sabemos que pode ser mudado, transformado, melhorado.

Pra mim, foi um ano BOLHA. Poucos amigos restaram, mas os que ficaram são de uma qualidade tremenda, que trazem paz e aconchego ao meu coração quando preciso de auxílio ou colo, e que vibram quando divido alegrias! Fiquei em minha própria casa grande parte do tempo e isso me ajudou a fortificar meu lar, fortificar meus laços comigo mesma e com minha família, minha maior bênção. O que vivi com meu marido e meus filhos é inexplicável, é uma experiência única onde cada um aprendeu e ensinou muito e por toda esta vivência me sinto lisonjeada. Pelo meu abrir de olhos. Por buscar novos conhecimentos. Pela capacitação. Por enxergar tantas possibilidades. Pelo início da quebra de tantos bloqueios emocionais. Pela quebra das amarras. Por tudo.

E por ainda termos tanta vida pela frente, e por ter sonhado com ela esta noite, tenho como minha música do ano Vilarejo, da Marisa Monte.

Que o vento bom areje e permaneça.

E que os Anjos digam Amém.

Minha mensagem de fim de ano, enviada pela minha mãe para mim, é o que eu desejo a vocês:

“Eu estive pensando sobre o que poderia desejar-lhe além das bênçãos de saúde e felicidade; te desejo um ano abençoado por Deus com festas e comemorações, com pais saudáveis e filhos felizes. Desejo-lhe tranquilidade e noites bem dormidas. Jornais com boas notícias e projetos de paz. Desejo-lhe muitos cafezinhos cheios de boas conversas, livros bem lidos e trabalhos bem feitos. Que as idas a farmácia sejam por cosméticos e não remédios e que as idas ao mercado sejam por chocolates e não por dietas. Eu quero que você seja amada, querida e respeitada. Que os homens da sua vida te tirem o batom e não o rímel. Te desejo tantas coisas… boas mamografias, bons exames médicos e se necessitar de injeções, que sejam de botox e não de antibióticos. Que ninguém te faça chorar e que você cante bem alto no carro quando estiver sozinha. Que tenhas um ano com férias, feriados, viagens e escapadelas. Que não te falte nada e que não te roubem nada. Desejo-lhe risadas e gargalhadas, daquelas que fazem chorar. Risos daqueles que afugentam os medos e eliminam as rugas…Te desejo mel nos seus desafios e mel nos momentos amargos. Muito sucesso e saúde durante todo o próximo ano e que Deus te abençoe e te acompanhe sempre.”

 

Meu beijo,

L.

Publicado em Casamento, Desafios, Desafios do casal, Desafios do casamento, Maternidade real

Dores e delícias de um casal com filhos.

Atibaia, 04 de dezembro de 2015

Ouvindo “Baby” – Bebel Gilberto

Hoje foi dia de fazer curva glicêmica. Não que seja um dos exames mais prazerosos do mundo, mas pelo menos ele me concede algumas horas de ócio e – veja só! – isso se torna um baita presente para quem é mãe.

Aproveitei para levar ao laboratório papel, caneta e um livro; senti-me ostentando em meio a todo o resto das pessoas que estavam totalmente voltados para seus próprios celulares e, devo confessar, como foi bom sentir esta sensação de “regressão”.

Bem, vamos ao que me levou a escrever a este post. 

Semana passada comecei uma grande ‘observação’; Benício segue crescendo de forma ativa e exigindo cada vez mais. Creio que a parte da infância mais difícil para muitos pais acabou de bater em nossa porta e isso não inclui apenas controlar gritos, birras e manhas. A verdade é que, na minha humilde opinião, a grande dificuldade está mesmo em encontrar a saída para que não aconteça a desconexão total do casal neste momento. 

Explico: parte desta ‘observação’ tem acontecido quando eu e Lu temos saído com Beni. Restaurantes se tornam cada vez mais escassos porque, primeiro, não dá mais pra ‘relaxar’ e nem pensar em ficar por muito tempo e, segundo, porque quando saímos acabamos sempre ficando mais sozinhos que se tivéssemos permanecido em casa, já que eu ou ele precisamos interagir integralmente com nosso filho que, de modo legítimo, está tentando descobrir o mundo a seu jeito e sempre acha o máximo ter oportunidade de explorar novos lugares – nem sempre permitidos, gerando muitos ‘nãos’ e, inevitavelmente, irritação. 

Por outro lado, em casa, com a energia do Pequeno praticamente inesgotável e a minha e do Lu na reserva há bastante tempo, vejo o estado de caos que toma conta: cômodos da casa parecendo que foram pegos por um furacão, a frustração por não conseguir esperar meu marido chegar do trabalho já cheirosa e renovada – aprendizado que veio da minha mãe – para a melhor parte de nosso dia, o momento com a família completa. 

É o que o Lu diz: “muitas vezes nos falta energia para o que de fato importa”. 

Se é bem verdade que filhos são a melhor coisa que podem acontecer na vida, também é verdade que muitos deles são mestres únicos que nos exigem diariamente um novo olhar sobre tudo que já havíamos aprendido até aqui a respeito de resignação, tolerância, paciência, flexibilidade e o principal, a resiliência. 

Então, nesta fase, digamos, mais ‘desafiadora’, as saídas vão dando lugar aos encontros cada vez mais caseiros com amigos, para que fiquemos mais a vontade e tranquilos em relação a Benício e sua rotina, além de nos proporcionar maior interação com os que ficaram. Sim, outra grande revelação da maternidade foi ter visto muitos de nossos amigos ficando para trás por conta deste filtro natural que infelizmente acontece. São mudanças grandes que não permitem mais que a vida seja a mesma e poucos são o que entendem e se adequam para que o esforço mútuo do encontro continue acontecendo… e assim, muitas vezes, nos sentimos sozinhos como indivíduos e precisamos reinventar amizades, sentimentos e praticar algo realmente difícil quando as coisas não dependem de nós: a aceitação. 

Às vezes, bate uma saudade grande de quando a preocupação era apenas decidir para onde ir à noite, sem precisar pensar em um local que tenha espaço kids, se é cedo ou tarde, se o tempo vai mudar e esfriar ou se terá comida apropriada para a fome de meu filho. 

Também sinto muita saudade da espontaneidade que existia dentro da minha relação; a maternidade acaba tornando tudo muito previsível, embora os momentos espontâneos sejam realmente uma surpresa. E é aí, nesses pequenos instantes escondidos na loucura diária, que sentimos a esperança e que, apesar dos desafios enfrentados, vamos dando conta do recado da forma como sempre dissemos que seria: juntos, de mãos dadas! 

Crescer nem sempre é fácil. O mundo adulto é exigente demais! 

A parte deliciosa disso tudo é olhar para Benício e ver em seu reflexo e em suas atitudes o quanto ele se sente criado em um ambiente de amor e tranquilidade e, por mais que em alguns momentos exista nostalgia e saudade, olhar para o presente e nos enxergar pessoas muito menos egoístas e pensando juntas por um bem comum é muito gratificante. É um sentimento de plenitude e loucura, porque apesar de todas as dificuldades, dos problemas enfrentados, se eu me pergunto se trocaria o meu cenário por algum outro a resposta é definitivamente não. 

Não que seja fácil; se o casal não estiver bem afinado, muita coisa pode realmente ir por água abaixo.

Por isso é tão importante o diálogo e um pedido extra do divino para que nos olhe e cuide de nossas decisões e atitudes sempre. “Orai e vigiai” todo o tempo. 

Em fevereiro, Miguelito chega para completar o quarteto e certamente nos apresentará mais uma série de situações onde a reflexão será obrigatória e um consenso definido. É nossa grande evolução: tentarmos ser melhores aos olhos de nossos pequenos para, assim, nos tornarmos melhores para o mundo como um todo. 

Só peço sempre serenidade e a que tenhamos sempre a certeza destas fases transitórias que são tão importantes para nosso próprio crescimento e que, como casal, sigamos unidos e nos cuidando mutuamente. 

Temos a vida pela frente para nos olharmos com olhar amoroso e ainda mais admirável por estarmos nos dedicando tão de corpo e alma para a realização de um de nossos grandes sonhos: sermos bons pais. Que Deus esteja sempre presente em nossas vidas e nos auxiliando nesta grande jornada.

“Baby, baby 
I know that’s the way…
(…) 
It’s time now to learn what I know
And what I don’t know
And what I don’t know
And what I don’t know”

Meu beijo, 

L.