Publicado em Família, Filhos, Gratidão, Vida real

Casa de vô, casa de vó

Atibaia, 12 de março de 2020.

Ouvindo “I say a little prayer” – Aretha Franklin

Tentei chegar da casa da minha mãe ontem e escrever este texto, mas ando tão exausta de computador por conta do meu trabalho que preferi me deitar e desanuviar a mente assistindo ao Saia Justa no GNT seguido da estréia do programan Caminho Zen, com a Monja Cohen e a Fernanda Lima.

Mas hoje, era questão de honra.

Porque sinto uma urgência em tentar registrar os detalhes do que me é importante, das rotinas que eu gosto muito, que me norteiam. Beni é um pouco assim também… ele precisa saber qual será o passo seguinte, quais serão nossos programas do final de semana, qual a ordem dos aniversários da família no calendário. Saber o que virá traz calma na alma pra ele. Costumava chamar isso de ansiedade, mas hoje, racionalmente falando, vejo que ele puxou a mim. Não é ansiedade o nome disso, mas sim, segurança.

Pois em nossa rotina semanal, toda quarta-feira é dia de ir visitar a vovó Nina e o vovô Pepê. Eles ficam felizes porque sabem que na casa do vô e da vó é sempre uma festa…

Meu pai nunca deixa faltar cookies ou calypso, e sempre coloca num local estratégico pra eles alcançarem quando chegam na casa deles.

-“Qual suco eles mais gostam?”, ele me pergunta
-“Pai, eles vão tomar o que tiver!”, eu digo

Já que não foi a resposta correta, por observação ele se liga que não pode faltar na casa dele água de coco e sucos de limão, tangerina e uva – bebidas favoritas dos netos mais novos. Dudu já prefere a cervejinha!

Lanchinho garantido, depois lá vai Mimi abrir o congelador da geladeira que fica na parte debaixo para procurar um gelo ou um picolé. E lá vão eles pra fora se lambuzar… (mas não sem antes escutarmos um “vó, mãe, fica aqui comigo?”)

Depois de se saciarem, normalmente vão ver o que está passando na TV. Beni já prefere assistir jogos com o meu pai enquanto Mimi é mais aberto para as sugestões de filmes novos que minha mãe coloca e assiste com ele.

Aqui em casa, eles raramente me deixam escolher um programa novo. O mérito é todo dela, que entra neste mundo lúdico junto de seus netos. Grita se vê um dinossauro, vibra quando o vilão é derrotado, abraça eles quando tem uma cena de perigo ou susto. É emocionante poder viver isso com eles.

Passado algum tempo, lá vem Mimi com a pergunta de sempre:
– “Mamãe, trouxe meu pijaminha?”

Se ele perguntou, já sei que é porque o vovô chamou os meninos para a hora do banho. Os xampus são de heróis como eles gostam, minha mãe normalmente seca eles e põe o pijaminha e depois, penteia o cabelo deles e passa perfume.

Depois deste ritual, Mimi normalmente se aquieta e dorme… Beni ainda demora para conseguir se manter mais calmo, mas aos poucos vai se entregando ao cansaço.

E eu aproveito para tomar um banho relaxante enquanto eles curtem a presença dos avós.

Ontem especialmente, estava quase sem energia. Um cansaço me atingia e eu só pensava no quão desafiador é criar filhos, no quanto existem fases que são tão mais penosas, e pude contar com os ouvidos compreensivos da minha mãe, que me ouviu e me aconselhou.

Agradeci por tê-la aqui comigo. Por ter colo e carinho, palavras de conforto.

Estou há alguns dias tentando marcar de ver alguns amigos, mas ninguém tem tempo disponível. Cada um seguindo com suas lutas, seus afazeres, seus compromissos.

Mas tem dias que a gente precisa mesmo é desta conversa física, olho no olho, abraço, um “calma filha, é uma fase que vai passar!”.

Saímos de lá depois de pedir a bênção, e sei que ela orou com mais afinco. Arrisco até dizer que acendeu uma vela, porque hoje acordei bem melhor.

E por mais que a vida às vezes esteja de cabeça pra baixo, saber que os tenho e que tenho esta rotina confirmada às quartas faz meu coração vibrar muito.

Eu amo vocês, pais.

Publicado em Amor multiplicado, Experiência, Família, Filhos, Gratidão, Maternidade real, Mãe de dois, Pais e filhos

Viajando com amigos.

Atibaia, 09 de abril de 2018.

Ouvindo “Toda forma de amor” – de Lulu.

 

No último final de semana, fomos convidados para viajar com alguns pais e filhos da escolinha dos meninos para Peruíbe. Fiquei muito animada porque sempre quis que uma viagem como essa acontecesse, mas sequer imaginava o quanto seria bom e inesquecível!

A antiga Lillian talvez ficasse irritada por ter querido viajar na sexta mas ter ido apenas no sábado. Já disse aqui no blog em outra ocasião que tenho tentado pegar mais leve comigo e esta foi mais uma oportunidade de colocar este desejo em prática. (De pouquinho em pouquinho…) 

Chegamos por volta de 12h e fomos encontrar os amigos na praia. Dava gosto de ver a alegria das crianças por estarem juntas. Tudo contribuiu: o céu estava ensolarado, a praia vazia, o mar tranquilo e quentinho.

É impressionante a verdade por trás do conselho: “não crie expectativas!”. A verdade é que tudo se torna mais leve e feliz.

Papeamos, trocamos experiências e curtimos muito – nós e as crianças.
São estes momentos que ficam eternizados no coração.

Teve sol. Teve mar quentinho. Teve caldo. Teve cervejinha. Teve caipirinha. Teve tequila (!). Teve risada. Teve milho. Teve açaí. Teve suco. Teve bolo. Teve churrasco. Teve café quentinho. Teve banana com canela e caramelo. Teve salgadinho de legumes. Teve chá. Teve alegria. Teve birra. Teve noite bem dormida (♥). Teve abraço apertado. Teve despedida. Teve agradecimento. Teve desejo de boa sorte. Teve presença. Teve celular só pra registrar este momento. E teve retorno mais cedo.

Depois do sufoco que passamos na nossa primeira viagem juntos (os 4!), sempre optamos por viajar na hora do soninho das crianças. Você pode entender o motivo clicando aqui – rs. (Vale a pena se quiser ler sobre maternidade real!)

14 pessoas e grandes momentos. Valeu cada minuto. Ô se valeu!

Viajar é cura! Se for para ver o mar então… 🙂

Meu beijo,
L.

 

Publicado em Desafios, Família, Filhos, Simplicidade, Transformação

O que você vai ser quando você crescer?

Atibaia, 28 de março de 2018

Ouvindo “Ai de mim” – OutroEu, Sandy

Dia desses, li que 85% das profissões que existirão em 2030 ainda não foram inventadas.

85% 

Assim que li esta frase, rapidamente fui para 2030. Pensei que Benício estará com 16 anos e Miguel com 14. O primogênito já próximo de terminar o que hoje chamamos de Ensino Médio.

Volto para o presente. Enxergo a educação de hoje totalmente fora do contexto de tempos exponenciais que vivemos atualmente.

Juro que eu tento me controlar mas isso me angustia. “Ah, mas isso é daqui 12 anos”. Sim, OK! Mas até meus filhos chegarem próximos à vida adulta eles precisam ir adquirindo bagagem para estarem preparados para seja lá o que for.

Fico tentando antever quais serão as tais profissões, mas mesmo sem respostas, de uma coisa eu tenho certeza: seja lá o que venha, a minha percepção de seguir com uma educação que trabalhe a inteligência emocional e a capacidade de pensar sistematicamente na resolução de problemas que poderão ser aplicados tanto para os problemas matemáticos quanto para questões mais sociais é o que eu busco para a educação dos meus filhos.

Foco pra vestibular? Quem no futuro ainda precisará de 4 anos para saber uma área que muito provavelmente estará com informações defasadas ao final?

Quero mais é que meus filhos desbravem o mundo! Que tenham possibilidades de conhecer outras culturas e que consigam deixar um pouquinho de si e levar um pouquinho de cada um que cruzarem pelo caminho. Que se transformem em seres felizes e bem resolvidos emocionalmente, seguros de suas escolhas e suas decisões.

Que tenham respeito pelo próximo e que sejam gentis.

A tecnologia disponibiliza para nossas crianças um mundo de possibilidades; possibilidades estas que se bem utilizadas, serão um grande diferencial e que farão deles muito mais conhecedores que nós.

É muito importante assumir que o contato com as crianças de hoje nos fará aprender muito e viver uma troca inigualável!

 

Meu beijo,
L.

Publicado em Casamento, Escolhas da vida, Família, Filhos

Sobre filhos, casamento e gratidão.

Atibaia, 30 de junho de 2017.

Ouvindo Sweet Creature – Harry Styles.

Descobri este som esses dias por acaso no Spotify e já comecei a imaginar com quais cenários da minha vidinha ela se encaixaria. Fico aqui editando aquele tal trailer imaginário que ficou mais latente depois de assistir pela primeira vez – e pelas todas as milésimas vezes seguintes – “O amor não tira férias” (meu filme favorito da vida, by the way!)

Há tempos estou para escrever no blog. Já faz mais de um mês que não passo por aqui. Prometi que este ano melhoria a assiduidade das minhas publicações, mas não imaginei que a vida mãe x profissional x esposa x estudante tomaria praticamente todo meu tempo! No drama e culpa nenhuma também, viu! Estava no escopo para os desejos deste ano dançar conforme a música.

Reclamo não. Nunca estive tão feliz!

Algumas fases da vida a gente tem vontade de colocar num potinho, não é? Que mal há em aproveitar os bons ventos?

Ainda quero escrever com a calma que o post merece sobre nossa estadia no Organyca, que foi sensacional! E também sobre o projeto Medite na Rua, que gostei tanto de participar cerca de 3 semanas atrás. E também sobre como eu tenho conseguido conciliar tantas demandas de trabalho novo, com as aulas da pós, a atenção para os meus amores, minha monografia e agora uma nova mudança de casa que temos visualizado pela frente. Nossa! Era tanta coisa assim mesmo? Cansei!  Zzzzzzzzz

Mentira!! Eu agradeço e agradeço e agradeço. O Universo tem sido tão fofo e ouvido tão lindamente que não tenho outra coisa a fazer senão agradecer.

Por falar em agradecimento, li um texto hoje da Rafaela Carvalho que me fez dar ainda mais valor para esta revolução que todos os casais passam  depois da chegada do primeiro, do segundo, do terceiro filho. Para cada nova estrutura familiar, uma nova adaptação.

Que alegria tão grande poder compartilhar cada momento de alegria e desafio com meu marido amado, meu parceiro de vida.

Deixo este texto incrível para todas as mães, pais, famílias que passam por esta transformação dia a dia e que enxergam nesta exaustiva função a beleza e poesia de que no fundo, no fundo, há algo muito maior por trás de toda esta energia de amor na qual estamos envolvidos. Vida longa aos que acreditam na constituição familiar, seja no modelo que for. Só o amor constrói. 🙂

Tantos são os motivos que a chegada de um filho pode te tornar uma péssima namorada. Filho transforma não só o corpo e o coração. Vira a vida, a casa de ponta cabeça. Muda as prioridades, redireciona os planos. É bem provável que eu não me pareça muito com a mulher por quem você se apaixonou, e vice-versa. Mas a gente se reapaixona.
Caio de amores pelo homem amadurecido, que coloca a família em primeiro lugar, que segura nossos filhos pelas mãos.
Brigamos, perdemos a paciência (já gasta com o constante lidar com as crianças), dormimos “mal” – quando dormimos.

E no dia seguinte, entre um café sendo passado, uma troca de fralda, um esbarrar para escovar os dentes, um grito pedindo para desligar o fogão antes que o pão queime. Não sobra tempo para lembrar o motivo da raivinha da tarde anterior.

Há também noites onde as crianças vão pra cama cedo. Nos empolgamos com tamanha liberdade, e vamos dormir depois da meia noite. E acordamos zumbis.

Nossas conversas foram substituídas por frases soletradas, para que as crianças não entendam. Marcamos de N-A-M-O-R-A-R, avisamos que tem C-H-O-C-O-L-A-T-E no armário. Eu vejo marcas de expressão surgirem no seu rosto. Você enxerga o mesmo em mim.

Te pergunto se você vê a ruguinha do meu lado esquerdo, você nega. Afinal, tem amor pela vida. Mas sabemos que ela está lá. Desgastes na pele de quem ri demais, chora demais, se estressa demais, vive demais, gosta de praia demais.
Enfrentamos problemas, damos as mãos, discordamos, fazemos funcionar.
Beijos, carinho, um sorriso de longe a caminho do parquinho.
Tudo mudou. No papo de fim de tarde recordamos momentos e ficamos nostálgicos. Saudade de dias que não voltam.
Passou, e sempre acho que deveríamos ter aproveitado mais.
Eu sei, coisa boba da minha cabeça. Em alguns anos direi o mesmo desta fase de agora.
Mas você sabe bem o porquê disso tudo.
É porque é bom.
Viver com você é B-O-M. Demais.
Os problemas, pedras, tudo fica pequeno.
Porque quando acordo de manhã, não importa as circunstâncias, sei que o que mais importa dorme bem ali, no final do corredor.
Então hoje agradeço aos céus por você existir.
E por existir aqui, pertinho de nós.
Autora: @a.maternidade (Instagram) – Rafaela Carvalho

Tudo tão verdade, né?

Fiquei emocionada quando li. Tão correto e tão bonito. ]

“Façamos… vamos amar!” – e só pra lembrar, demonstrar amor não dói. 

Meu beijo,

L.

Publicado em Amor multiplicado, Filhos

Os primeiros passos de um filho.

12 de abril de 2017.
Ouvindo Enya – Only Time
Uma das coisas que sempre amei fazer: observar meus filhos. O jeitinho como eles vão crescendo, as palavras que começam a usar, as demonstrações de afeto e de carinho, o modo como demonstram desde cedo traços de suas personalidade… observar isso tudo é edificante. Eles estão ali, como grandes objetos de estudo do comportamento humano. E fica ainda mais abrangente quando entra na parada a minha auto-análise: incrível a mudança de quem eu era e quem eu tenho me tornado por conta deles.
Dias atrás, observava Miguel. Era incrível como ele – de maneira perceptível – avançada no quesito “ficar em pé sozinho”.
Esta é uma fase mágica. Conseguir enxergar a vida pelos olhos deles e experienciar esta grande vitória que é o início da descoberta do mundo por outra perpectiva é incrível.
Voltando para o meu caçulinha ficando em pé, Mimi achava o maior barato levantar e cair de bunda, ao som do meu “Tibumbalalelê”. Estávamos lado a lado e, entre uma tentativa e outra, ele gargalhava e encostava todo seu rostinho no meu ombro, como se quisesse me dar um abraço.
Se eu fechar os olhos agora volto para este exato instante: revivo o cheiro de banho tomado no seu cabelo louro, o sorriso faceiro com os dentinhos separados e aquele olhar inocente e vibrante de quem está experimentando algo novo.
Depois de perceber estes primeiros sinais de maturidade postural, comecei a segurar as duas mãozinhas dele para treinar os passinhos em si: “Dan-dá, Dan-dá, Dan-dá” – ele ia repetindo comigo. E assim fomos durante um pequeno período.
Há duas semanas, ele deu os primeiros passos. Acabávamos de voltar do Centro e estávamos na minha mãe. Bastou um pedido meu – filho, vem andar na mamãe – e lá veio ele… risonho que só, me mostrando seus 4 passinhos e toda a emoção do mundo.

Sua maior missão na vida era se especializar nos movimentos. O modo como Miguel é destemido é impressionante. Ele não tem medo de cair. Quando cai, levanta. Tantas vezes quanto necessárias.

Depois que já estava mais habituado com os primeiros passos, sempre pedia a ajuda do Beni para que ele fizesse o papel de segurar as mãozinhas dele. Deu certo! O irmão ficou todo orgulhoso ao ver que estava ajudando Mimi nesta missão. E eu fiquei babando neste momento.
Não é sempre que a relação deles é tão amistosa. Eles brigam bastante, sempre querem o mesmo brinquedo ou sentar no mesmo lugar. Sempre querem o leite na mesma mamadeira.
Mas de repente, tem aqueles instantes mágicos que eternizam: quando o Beni ajuda o Mimi a aprender a andar, quando eles espontaneamente se acarinham, quando Beni diz a ele que o ama e pergunta se o Mimi quer ser seu melhor amigo, ou enquanto brincam de ‘pega pega engatinhando’ no corredor da nossa casa.
Tem dias que tudo é tão cansativo.
Mas tem outros que o clima de harmonia e amor é tanto que chega a marejar meus olhos.
Quanto a observar o Mimi, lembrei da máxima famosa que diz:
 
“Nós somos o que fazemos repetidamente. A excelência, portanto, não é um ato, mas um hábito” (Aristóteles).
 
Que seu caminho de descoberta seja lindo, meu filho.
“Who can say where the road goes, where the day flows, only time

And who can say if your love grows as your heart chose, only time”

Estarei sempre aqui, te observando.

Te amo. Do umbigo.

Mamãe.

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Vai ficando cada vez melhor…

27 de fevereiro de 2017.

Ouvindo “Um dia após o outro” – Tiago Iorc {meu favorito do momento!}

Eu me lembro quando estava grávida de meu primeiro filho; durante toda a gestação, ouvi conselhos até mesmo sem pedir. Todos eles sempre giravam em torno de dificuldades, normalmente relacionadas ao sono, a um afastamento temporário no relacionamento, a mudanças internas e também na solidão inicial e novo rol de amigos. Ficava brava com essas pessoas que só me alertavam sobre as dificuldades mas não amaciavam isso com o lado bom da maternidade. Dizia ao Lu: ‘quanto pessimismo em torno de uma nova vida!’
Até que um belo dia um casal de amigos finalmente nos disse: “dá trabalho, mas vai ficando cada vez melhor!”
Meu primogênito então, nasceu. Enfim eu me tornava mãe. O tempo foi passando e eu finalmente entendi cada um dos conselhos que me haviam sido dados. A verdade é que ali não se instalava qualquer tipo de pessimismo e sim, a realidade, a vida como ela é.
Todavia, aquele casal amigo que apesar de tudo sempre enxergava o copo meio cheio não me saía da cabeça: “vai ficando cada vez melhor”.
Tenho absoluta certeza que é este realmente o fluxo para ganharmos fôlego e assim, querer continuar.
Vai ficando cada vez melhor porque, aos 2 meses, no intenso, profundo e único período do puerpério, seu filho começa a sorrir pra você;
Vai ficando cada vez melhor porque, aos 4 meses, ele começa a virar pra lá e pra cá e a interação  entre vocês começa a ficar mais gostosa;
Vai ficando cada vez melhor porque, aos 6 meses, ele começa a sentar e suas costas, a agradecer;
Vai ficando cada vez melhor porque, a partir de então, logo ele começa a engatinhar e a ter um pouquinho mais de liberdade e você, de fôlego;
Vai ficando cada vez melhor porque, de repente, seu filho está andando pra lá e pra cá, desbravando e explorando;

Vai ficando cada vez melhor porque, um belo dia, inesperadamente, você vai ganhar um abraço e ouvir o ‘eu te amo’ mais sincero da sua vida.

E olha que meu primogênito tem apenas 2 anos e meio. Fico imaginando o que vem pela frente!

É claro que tudo realmente mudou, se transformou: a exaustão pelas noites mal dormidas está presente; o afastamento temporário do meu marido acontece pelas tantas e tantas demandas imediatas de nossos filhos, exigindo tanto ou quase tudo de nós; na mudança do rol de amigos também rolou um ‘checked’ e a transformação interna, então, esta veio vestida de realidade escrachada desde quando peguei meu filho no colo pela primeira vez. Porém, ela foi sempre muito edificante e única, sendo possível unicamente através desta vivência da maternidade e da paternidade.

Tem uma frase de Artur da Távola que eu gosto demais e que levo pra minha vida. É uma de minhas frases preferidas. Assim ele escreveu:  Eis a felicidade possível: compreender que construir a vida é renunciar a pedaços da felicidade para não renunciar ao sonho da felicidade.”

Minha família é e sempre será meu sonho da felicidade.
E é por isso que vai ficando cada vez melhor… ❤

Meu beijo,
L.

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Nossas férias.

29 de janeiro de 2017.
(Ouvindo Bon Iver) 


 
Janeiro já está indo embora e ainda não escrevi sobre as férias maravilhosas que tivemos. Já fazia algum tempo que o Lu havia me dito que conseguiria três semanas de folga entre o final e o início do ano, mas esta seria a primeira vez que o Miguel estaria na colônia de férias junto com o Beni. Sem fazer grandes planejamentos, sugeri a ele que nossas semanas fossem assim divididas: a primeira semana com as crianças, a segunda semana com os dois na colônia, possibilitando que tivéssemos algum tempo juntos e a terceira viajando com eles para praia. Tudo conspirou a nosso favor e foi exatamente isso que aconteceu.
Conseguimos na primeira semana ajeitar algumas coisas em casa, levar as crianças no zoológico, brincar na piscina da casa da vovó, fazer piquenique no parque. Eu e o Lu conseguimos ir ao cinema, caminhar no lago de mãos dadas todos os dias, entrar com o processo de cidadania do Mimi, ir ao Eataly, ir ao café, curtir um day spa juntos, almoçar tranquilamente. Foi uma semana que deixou saudades… como sinto saudades do meu marido! ❤ Na última semana fomos para Maresias. O tempo nos dois primeiros dias colaborou, aproveitamos muito. A pousada que ficamos atendeu totalmente a todas as nossas expectativas e isso conta demais quando se tem crianças, ainda mais quando são pequenos como meus filhos.
Pela primeira vez, vi Benício brincando de forma mais integrada com Miguel. Era um dia de chuva e eu e o Lu assistíamos a mais um episódio de The Crown enquanto eles ficavam pra lá e pra cá, rindo, correndo, engatinhando. Apesar de tudo continuar sendo cansativo, esses momentos trazem alegria imensa. Na praia eles dormiram a noite toda, inacreditavelmente. Tivemos certeza que grande parte do sono interrompido deles está no barulho e caos da madrugada perto de casa, com carros turbinados, motos barulhentas, sons ensurdecedores, latidos de cachorro e vozes humanas alteradas.
Nosso retorno aconteceria na sexta-feira, mas como continuou chovendo, conseguimos um crédito para retornar até março e assim, voltamos mais cedo pra Atibaia. Na sexta, já que as crianças tinham ido para a escola, eu e o Lu ticamos a última das vontades para nossa semana especial juntos: conhecer o Capril do Bosque. Lá estávamos só eu e ele, aquele cheiro de mato gostoso, a taça de vinho que trouxe aquela leveza boa, a degustação da tábua de queijos, tudo maravilhoso. Foi o momento mais propício para escrever meus sonhos para 2017. Me recusei a escrever no bloco de notas do celular… estávamos muito isolados para a inserção de qualquer tecnologia. Preferi o guardanapo e a caneta. Estava com saudades de ver minha letra.
E assim, curtindo até a última gota de nossos momentos juntos, continuei com aquela mesma sensação de que minha família é realmente incansável. Quero mais, mais, mais!

Meu beijo,
L.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Publicado em Amor multiplicado, Desafios, Família, Filhos, Maternidade real, Vida real

Nosso primeiro semestre – Texto de 22.08.2016

Atibaia, 22 de agosto de 2016.

Ouvindo Ben Harper – várias.

Hoje acordei como se fosse meu aniversário – apesar de ser do meu pai. Lembrei-me de que, neste mesmo dia de 2015, chegávamos de volta a Atibaia deixando pra trás mais uma chance em tentar equilibrar a vida e estarmos mais tempo juntos em família. Em São Paulo, as coisas não foram tão fáceis quanto imaginávamos e uma nova gestação não nos deu opção; o retorno a Atibaia seria melhor por diversos motivos: proximidade da minha família, fácil deslocamento, custo de vida mais barato. O tempo juntos, descobrimos, quase não mudou estando lá ou cá. São Paulo tem o ritmo frenético e ficar até mais tarde na empresa para o Lu se fazia necessário ou por demanda ou por conta do trânsito caótico da Raposo Tavares em horário de pico. No fim das contas, descobrimos que ter hora para pegar o fretado acaba sendo mais vantajoso.

Depois da descoberta da gestação, depois de um mês conturbado e da quase não aceitação, depois de não acreditar que eu estava entre o 0,01% da possibilidade de engravidar tomando pílula anticoncepcional, entendi que Miguel era nosso novo milagre. Ele chegou para nos obrigar a voltar ao eixo, a rever conceitos, a entender que nada mais nos era solicitado que não a total resignação pela nossa família, por nossos filhos.

Quando ele nasceu, no dia 22 de fevereiro, enfrentei nos dias posteriores sentimentos duros de encarar: Benício chegou a me rejeitar e eu não estava preparada para isso. Os primeiros três meses foram bastante caóticos por ter dois bebês que por si só já sugam muita energia, mas também para entender o cenário total de tudo de novo que eu e o Lu teríamos que aprender a enfrentar e superar – juntos: o fato de que novos desafios emocionais seriam testados, o fato de que quando um fica doente o outro quase que invariavelmente fica também, o fato de que a exaustão seria/será nossa amiga por no mínimo mais um semestre, o fato de que olhar um para o outro exclusivamente ficará difícil por um tempo, o fato de que nossas contas ficariam muito mais apertadas.

Hoje, seis meses depois de seu nascimento, considero a data um marco. Passamos por este primeiro semestre realmente com um esgotamento emocional fora do comum, mas ver o carinho gratuito dos irmãos e abraços e ‘eu te amo’ ditos espontaneamente pelo Beni nos dá a certeza de que tudo vale a pena.

Eu agradeço a Deus por termos passado por esta primeira fase cansados e unidos, tendo como princípio o diálogo e o amor. O que está fora do eixo, a gente conserta e equilibra com calma, paciência e carinho. Nossos filhos são nossa força! Eles sempre nos guiam para o melhor e mais profundo crescimento pessoal.

Deixo aqui o que pode ser considerada uma oração, tamanha beleza dita em palavras.

Que o medo jamais paralise os nossos sonhos e tudo que desejamos viver em família.

FORJANDO A ARMADURA
Rudolf Steiner (1861-1925)

“Nego-me a me submeter ao medo que me tira a alegria de minha liberdade,
que não me deixa arriscar nada, que me torna pequena e mesquinha,
que me amarra, que não me deixa ser direta e franca, que me persegue,
que ocupa negativamente minha imaginação, que sempre pinta visões sombrias.

No entanto não quero levantar barricadas por medo do medo.
Eu quero viver, e não quero encerrar-me.
Não quero ser amigável por medo de ser sincero.
Quero pisar firme porque estou seguro e não para encobrir meu medo.
E, quando me calo, quero fazê-lo por amor e não por temer as conseqüências de minhas palavras.

Não quero acreditar em algo só pelo medo de não acreditar.
Não quero filosofar por medo que algo possa atingir-me de perto.
Não quero dobrar-me, só porque tenho medo de não ser amável.
Não quero impor algo aos outros pelo medo de que possam impor algo a mim:
Por medo de errar, não quero tornar-me inativo.

Não quero fugir de volta para o velho, o inaceitável, por medo de não me sentir seguro de novo.
Não quero fazer-me de importante por ter medo de ser ignorado.
Por convicção e amor, quero fazer o que faço e deixar de fazer o que deixo de fazer.
Do medo quero arrancar o domínio e dá-lo ao amor.
E quero crer no reino que existe em mim.”

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Obrigada, meu amor, por mais do que nunca, segurar bem forte em minha mão. E também por dizer comigo o mantra mais famoso da maternidade nos momentos desafiadores: “é apenas uma fase, isso também vai passar…”

Vamos juntos! – “Ainda falta tanta coisa…” 

Meu beijo,

L.

Publicado em Alegria, Casamento, Experiência, Família, Férias, Filhos, Maternidade real, Mãe de dois, Pais e filhos

Sobre as férias – Texto de 11.08.2016

Atibaia, 10 de agosto de 2016.

Ouvindo Norah Jones.

Já faz um tempo queria ter passado por aqui para deixar registrado como foram os 30 deliciosos dias de férias em que o Lu ficou aqui comigo. Para muitos, pode parecer que nada fizemos de interessante neste período. Para nós, coisas incríveis aconteceram: finalmente tivemos tempo de organizar armários, ajeitar bagunças, tirar a poeira dos livros, remexer esta energia estagnada por um ano. A casa ficou mais leve. Comprei novas almofadas e mantas coloridas. Troquei o cheirinho ambiente. Fiz arte. Montei um painel de fotos e um quadrinho com quatro mini corujas representando nossa família. O Lu levou o Beni para a escola de bicicleta, coisa que ele sonhava fazer. E o buscou na escola podendo ver a alegria dele ao ver o pai. Nos conectamos mais com a espiritualidade. Mandamos o carro para arrumar. Organizamos juntos e com amor a festinha de 2 anos do Pequeno. Estivemos – a família toda – presentes no parabéns da escola e aqui de casa. Marcamos finalmente o batizado do Mimi. Pensamos em diversas possibilidades para o futuro. Sonhamos juntos e cansamos muito olhando as crianças. Decidimos usar melhor o poder da gratidão. O Lu voltou para a terapia, e apesar disso mexer com a gente, tenho consciência absoluta de que alguns nós internos precisam – e devem – ser desatados. Eu me embolei toda com a pós porque não queria perder um segundo de tudo de rotineiro que poderíamos fazer juntos tendo tempo. Ainda conseguimos viajar por uma semana, para cansarmos em outro lugar (rs).

🙂

A viagem para São Bento do Sapucaí havia sido um estágio incrível do que nos esperava para nossa semana em Brotas. Aí que me enganei. Em nossa primeira viagem em família, nossas expectativas eram grandes, por isso houve frustração. Apesar de ser EXTREMAMENTE difícil viver uma vida sem expectativas, quando conseguimos somos mais gratos por tudo, porque se não esperamos nada, tudo que chega é bom. Para ter paz de espírito, resolvemos abdicar de refeições juntos (eu e o Lu) e seguimos criteriosamente a mesma rotina que aplicamos em casa com os meninos. Assim tivemos uma semana incrível em família com muito menos perrengues, birras e choradeira.

De novo, se o casal não estiver muito bem estruturado para passar por estes, digamos, “afastamentos”, de modo a encarar como uma fase e enxergando a parceria no criar e cuidar como um afrodisíaco nato, fica muito difícil a coisa não azedar. Para falar o português correto, é FODA! Mas é como encarar a vida como um grande desafio e criar jogos mentais para ir se auto-motivando. Ao mesmo tempo, dentro desta bipolaridade louca entre amar os filhos e a família e querer a liberdade e a ‘antiga’ vida de volta, as pequenas coisas funcionam REALMENTE como combustível. Pra mim, a gargalhada das crianças tira todo meu mau humor. Ou a imagem do Beni fazendo carinho no Mimi. Ou quando só o Beni consegue acalmar o irmão com uma brincadeira que só as crianças devem entender. E como é precioso nos forçarmos a enxergar a vida com os olhos deles, para ver belezas puras e singelas.

É tudo tão enlouquecedor. Tudo passa tão rápido mas demora tanto para passar. Pedimos tanto que eles cresçam mas ao mesmo tempo choramos porque não são mais bebês. É uma mistura tão bizarra que só quem passa por isso vai entender.

E embora seja FODA, o casamento e os filhos continuam sendo altamente recomendados por mim. Crescimento e amadurecimento mútuos; nada é parecido com isso. Nenhuma experiência. Nenhum emprego. Nenhuma viagem. Nada traz a vivência deste conviver. Nada!

Meu beijo, com amor, e já pensando nas próximas férias!

L.

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Publicado em Casamento, Desafios do casamento, Emoção, Escolhas da vida, Experiência, Família, Férias, Filhos, Maternidade real, Mãe de dois, Mães, Pais e filhos, Simplicidade

A primeira viagem de nós quatro – Texto de 21.06.2016

Atibaia, 21 de junho de 2016.

Ouvindo “Dia Especial”- Tiago Iorc.

Desde o começo do ano esperava pelo final de semana passado. Pensei com muito amor e carinho sobre como seria a comemoração do primeiro aniversário de casamento sendo pai e mãe de dois filhos, além dos quase 2 anos do Beni e também do primeiro trimestre completo do Miguel.

Eram muitos os motivos para celebrar a vida e a dádiva de ter uma família! Vibrei com uma intensidade infinita que todos nós estivéssemos com saúde e disposição para curtir o quanto possível este respiro da vida cotidiana, sempre tão insana.

São Bento do Sapucaí foi a cidade escolhida e a Pousada do Quilombo para a estadia.

Benício chegou querendo fazer amizade e jogando beijos para os tios e tias no restaurante da pousada; enquanto esperávamos pela pizza do jantar, a missão dele era convencer alguém a levá-lo até a sala da lareira ou ver o olhar de aprovação sobre a vontade incessante que ele tinha em sair correndo e subir e descer incansavelmente as escadas de lá. Quando viu que nem com toda simpatia conseguiria, iniciou a famosa birra. Tratamos de comer a pizza rapidinho porque tem horas que doutrinar é muito cansativo e nós não queríamos iniciar a viagem com ele chorando. Depois de comer pedaços da pizza de abobrinha, eis que surge “a visão”. Quando Benício vê uma criança, ele se transforma. Quer interagir de qualquer maneira! – e é muito gostoso de se ver, diga-se de passagem. A menininha, chamada Maria Vitória, ou Mavi, era uma fofura!! Ele quis chamar a atenção dela – como se chamando-a para brincar – e saiu correndo pelo corredor como um foguete; calculou mal o espaço, meteu a cara na cadeira, caiu, chorou por meio minuto, beijou a própria mão e passou na testa para se “auto sarar”, chamou a cadeira de boba, mostrou a língua e sorriu de novo para Mavi, que a esta altura já estava tranquila na mesa com os pais assistindo a “Pepa” em seu tablet. Mesmo chegando perto dela e olhando a telinha, o negócio dele era mesmo conseguir subir as escadas sozinho. Êita sapequice cansativa! É porque eu, como mãe, sempre imagino os perigos, enquanto ele só enxerga desafios a serem vencidos. Pois bem. Na hora de ir para o quarto, ele finalmente conseguiu o que queria! As palmas e o sorriso dele ao chegar do outro lado da escada foi impagável – e passou rápido a empolgação, porque ele logo já enxergou outras coisas para brincar e se desafiar.

Estava uma noite fria, então resolvemos acender a lareira. Para ajudar o pai, Benício ficou de longe soprando para fazer fogo – sem que ninguém o tivesse ensinado – e depois apontava para a lareira e para nós e dizia “enti” e “dodói”, querendo dizer que ali era muito quente e poderia fazer dodói. É quase poético quando a criança reproduz aquilo que acabamos de ensinar, mas só consigo pensar nesta beleza agora, porque logo depois desta quase frase, ele já começou a ficar inquieto por ter que ficar preso no quarto e tratou de arrumar outras coisas para fazer: pegou o telefone e discou para a “titia”, falando “alô, alô”, mas não de modo quieto. Era mais legal falar “alô” tentando subir no criado mudo para alcançar o objetivo de se jogar na cama. “Benício, vai machucar, filho. Fica quietinho um pouquinho” – repeti no mínimo umas trezentas vezes – sem sucesso. Depois de muito pular na cama, reconhecer o território, finalmente adormeceu. Miguel conseguiu dormir em seguida, já que com o irmão tão animado ficou difícil fechar os olhos antes – rs.

No dia seguinte, acordamos e troca um, troca outro – estamos saindo – um faz cocô, troca de novo e uma hora e meia depois, conseguimos! – “Vamos correr, está terminando a hora do café!”

O dia estava maravilhoso, um céu de brigadeiro e o restaurante tinha uma vista espetacular para as montanhas – e também para o parquinho que levava a uma ponte bamba e bem alta. Sentamos. Peguei goiaba, manga, pão e bolo para o Beni e não durou 10 minutos para a birra começar, porque o desafio da vez era sair correndo para ir não ao parquinho, mas atravessar a ponte e de preferência sozinho. – “Benício, Benício, vamos comer, filho. Precisa comer pra ficar forte e saudável igual ao dinossauro que você adora!”

– “Ã, ã, ã, ali, ali, ali, mamãe, mamãe, ali, mamãe, ali, ã, ã, ã, buáááááááááááááááááááá”

Nessas horas eu me lembro da professora Leila me dizendo que o desafio não é meditar quando existe silêncio e o momento colabora, mas sim quando presenciamos especialmente um momento de caos.

Respiro fundo, conto até trezentos e para não ver mais olhares de reprovação, vou até o parque com ele. – “No parque, porque tenho medo de altura e na ponte você só vai com o papai.”

Vinte minutos depois, o Lu chegou e fui finalmente tomar meu café. Ufa! Silêncio e uma vista linda de presente! Pensei em como a natureza é linda!

Estando todos alimentados e depois de Beni ter ido na ponte e querer descer correndo a área de paralelepípedos só pra ficar mais emocionante, encontramos um lugar plano para brincar, correr, jogar bola, tomar sol, nos divertir. Mas ali perto tinha um barranco. Meu filho aventureiro queria era ficar ali, na beiradinha, só pra ver o que poderia acontecer. Deusinho nunca foi tão solicitado para me dar paciência quanto neste dia!

A brincadeira durou cerca de duas horas e começou a choradeira. Miguel com fome e Beni com sono. Fomos correndo para o quarto e algum tempo depois, os dois dormiram simultaneamente.

Olhei para o Lu e depois do “ufa!”, eu disse: “Finalmente! Vamos tomar nosso vinho?”

Quando solteiros, tudo era diferente: o local escolhido era sempre o que não aceitava crianças, afinal, são realmente desagradáveis os ataques de birra e sempre queríamos privacidade total. O dia era todo tomado para passeios na cidade, ofurôs e massagens e a noite, para a lareira, o foundue e um vinho pra terminar a noite meio breacos, com aquela sensação gostosa que o álcool na medida traz. Uma completa despreocupação e “cabeça leve”.

Maaaas… estávamos comemorando nosso aniversário de casamento e agora temos dois filhos, ou seja, muita coisa mudou – senão tudo! Então, a regra é dançar conforme a música. Nós, enfim, tivemos nossa hora e meia de sossego, risada, uma garrafa de vinho vazia e a dúvida: sobre o que falávamos quando não tínhamos filhos?

Decidimos tentar ser mais criativos no assunto na próxima vez.

Os meninos acordaram, almoçamos em paz, passeamos mais um pouco e o fim de tarde chegava. Com previsão de muito frio, ficamos quietinhos (quando digo quietinhos entende-se juntos em um só ambiente, porque meu filho curioso de quase 2 anos ainda não sabe o que essa palavra significa) e 20h30 os dois finalmente dormiram. Pedimos nosso jantar no quarto, o Lu foi fazer massagem e eu fiz o que eu mais amo fazer quando sobra tempo: DORMIR. A alegria de deitar às 21h00 é realmente impagável, porque sei que, ainda que eu tenha o sono interrompido, o saldo final será positivo e eu acordarei bem humorada e descansada.

Dia seguinte, antes da birra começar, nos dividimos para ficar com os meninos e tomar um café gostoso e contemplador. Beni quis andar de bicicleta com o pai enquanto eu fiquei passeando com Miguel. E assim, seguimos a rotina do dia. Horas depois, respeitando a hora do soninho vespertino dos dois, eu e o Lu conseguimos almoçar na varanda do quarto, curtindo o silêncio tão sagrado que traz tanta paz. Conversamos sobre aquela vista linda das montanhas, sobre o verde, sobre o quanto as pessoas daquela cidade deveriam viver por 200 anos, sobre a contemplação, sobre nossos sonhos e futuro. Lembramos como chegamos até ali, relembramos episódios engraçados e dramáticos da nossa relação e depois de longos abraços que muitas vezes são tão acolhedores e curadores, os meninos acordaram e era hora de ir embora.

Lembra que deixamos os meninos dormirem o soninho da tarde? Pois então! Descobrimos na raça o quanto isso pode nos custar na hora de retornar pra casa. Filhos descansados e querendo sair do carro para brincar, waze mandando para uma estrada ‘uó’ e choro incessante. Na próxima, lembraremos de ir embora na hora do soninho e a conversa despretensiosa acontecerá no carro mesmo, de mãos dadas – rs.

Resumo da ópera: se você aceita que uma viagem com seus filhos vai te trazer momentos incríveis e outros estressantes, você cria a realidade correta em sua mente. Se os dois dormirem ao mesmo tempo, encare como um baita bônus. Uma coisa que eu e o Lu já estamos craques é olhar para estes momentos como verdadeiros presentes.

Não dá pra dizer que viajar com eles é relaxante e um convite ao descanso, mas dá pra imaginar o quanto estes momentos em família são importantes para a construção dos vínculos duradouros, para o treinamento de sentimentos como a paciência e também, para testemunhar a alegria ingênua de uma criança ao ver um tronco de árvore no chão e já imaginar um cavalinho.

Eles nos ensinam tantas coisas!

Cansaço e amor. As duas grandes palavras que resumem esta experiência.

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Em breve, teremos a nossa próxima viagem, se Deus quiser!

L.